Desempenho Agrícola em Queda
O panorama do agronegócio em Alagoas para 2025 se revela como um verdadeiro desafio, tanto estatístico quanto produtivo. Um levantamento recente realizado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgado em 21 de novembro, aponta que o Valor Bruto da Produção (VBP) do estado deverá encerrar o período com um montante de R$ 5.004,33 milhões. Esse número representa uma redução nominal de 11,1% em comparação aos R$ 5.630,29 milhões registrados em 2024.
Esse desempenho coloca Alagoas em uma trajetória oposta à do Brasil, que viu seu VBP crescer de R$ 1.231.026,12 milhões em 2024 para R$ 1.412.203,57 milhões em 2025, um expressivo aumento de 14,7%. Com isso, a participação de Alagoas no faturamento agropecuário nacional caiu de 0,46% em 2024 para apenas 0,35% em 2025.
Estrutura do Agronegócio Alagoano
A estrutura do agronegócio em Alagoas se caracteriza por uma forte concentração: 72% do valor (equivalente a R$ 3,60 bilhões) advém das lavouras, enquanto a pecuária contribui com 28% (R$ 1,39 bilhão). No ranking dos produtos, a cana-de-açúcar permanece como o principal destaque, apesar de ter enfrentado uma queda de 17,2%, reduzindo de R$ 3.132,6 milhões para R$ 2.594,9 milhões.
Por outro lado, o segmento de bovinos manteve certa estabilidade, com um leve aumento de 0,9%, alcançando R$ 918 milhões. O setor leiteiro também apresentou crescimento, subindo de R$ 316,2 milhões para R$ 329,1 milhões, uma alta de 4%.
Desafios das Culturas de Subsistência
Entre as culturas de subsistência, a mandioca viu uma queda de 13,8%, chegando a R$ 263,1 milhões, enquanto a banana teve uma redução de 4,3%, totalizando R$ 247,7 milhões. Esses números refletem um cenário desafiador, que acentua a necessidade de diversificação e inovação no cultivo.
Evolução Histórica e Perspectivas Futuras
Uma análise do gráfico histórico revela que o significativo crescimento observado entre 2022 (R$ 4,45 bilhões) e 2023 (R$ 5,54 bilhões) não se sustentou. O pico alcançado em 2024, com R$ 5,63 bilhões, foi seguido por um retrocesso em 2025, retornando a níveis próximos aos de 2021/2022. Essa condição levanta um alerta sobre a dependência cíclica das commodities tradicionais, como açúcar e álcool, sem o surgimento de novas fronteiras agrícolas ou ganhos de escala em grãos.
A avaliação dos dados indica que Alagoas está isolada no contexto nacional, sendo o estado com o menor VBP do Brasil, ocupando a 27ª posição no ranking. A economia agropecuária local é prejudicada pela falta de diversificação. O descompasso entre o crescimento nacional, que avança quase 15%, e a queda de 11% em Alagoas, evidencia que o estado não conseguiu aproveitar a valorização das culturas que impulsionaram o país no último ano. A significativa baixa no valor da cana-de-açúcar, principal motor do estado, compromete diretamente o resultado geral, revelando uma vulnerabilidade estrutural ligada à monocultura e à ausência de uma cadeia robusta de proteína animal e grãos que possam equilibrar as variações de preço e safra.

