Recorde de Inscrições e Participação Feminina
Na sua centésima edição, a Corrida Internacional de São Silvestre alcançou marcos impressionantes. Com 55 mil corredores de 44 países inscritos, este ano a prova se destaca não apenas pelo número, mas também pela significativa presença feminina, que agora representa 47% do total de participantes.
A crescente participação das mulheres na corrida, a mais tradicional do Brasil, foi celebrada por diversas figuras notórias do esporte. Em uma coletiva de imprensa realizada na manhã de hoje (30), na cidade de São Paulo, a atleta Nubia de Oliveira, que obteve a melhor colocação na edição anterior, expressou seu entusiasmo com esse aumento. “Ver tantas mulheres participando me motiva a lutar pela vitória amanhã”, afirmou Nubia.
Ela ressaltou a longa história da São Silvestre, mencionando que a participação feminina foi liberada apenas a partir de 1975. “É notório como a corrida evoluiu, e agora temos um número crescente de mulheres, o que nos inspira mutuamente a continuar competindo”, acrescentou.
Nubia acredita que as corridas de rua proporcionam um reencontro poderoso para as mulheres, destacando a superação de limites pessoais. “Esse momento é uma oportunidade para mostrar que somos capazes de vencer desafios”, ressaltou.
A Inspiração de Jeane dos Santos
Outra atleta, Jeane dos Santos, compartilhou sua própria experiência ao expressar sua alegria em participar da centésima edição. “Estar aqui hoje é uma realização incrível, ajudou a me superar em momentos difíceis e a vencer a depressão e a ansiedade”, revelou.
Jeane, que se tornou uma inspiração em sua cidade natal, Santo Antônio de Jesus, na Bahia, destacou que muitas mulheres a contatam para relatar que começaram a correr por influência dela. “A corrida se tornou uma libertação para nós, mulheres. É um momento em que esquecemos tudo e nos sentimos livres”, afirmou.
Apesar de se prepararem intensamente, Nubia e Jeane estão cientes do desafio em romper o tabu de vitórias brasileiras na São Silvestre, que permanece desde 2006. O domínio de atletas quenianos complicará a competição. Cynthia Chemweno, que ficou em segundo lugar na edição passada, promete ser uma adversária difícil. “Correr no Brasil é uma experiência incrível, com o apoio do público, e isso me deixa animada”, comentou Chemweno.
Desafios e Estratégias nos 15 Quilômetros
No masculino, a última vitória brasileira ocorreu em 2010, com Marilson Gomes dos Santos. Desde então, a competição tem sido predominantemente dominada por africanos. Johnatas Cruz, que se destacou nas últimas edições, fez uma análise sobre as diferenças entre os estilos de corrida. Ele acredita que, enquanto os africanos treinam em equipe, os brasileiros tendem a focar na individualidade, o que dificulta a busca por vitórias.
“Se não mudarmos nossa abordagem, será difícil retomar o topo. Correr em grupo é essencial para o sucesso”, explicou Cruz.
Wendell Jerônimo Souza, outro atleta brasileiro, concordou com a importância da união entre corredores. Ele afirmou que um grupo coeso pode maximizar o desempenho na corrida, mesmo diante das variações do percurso. “Os altos e baixos exigem uma estratégia coletiva para que possamos obter melhores resultados”, acrescentou.
Wilson Maina, um queniano que se diz “quase brasileiro”, também comentou sobre as diferenças culturais na corrida. Segundo ele, a camaradagem e o trabalho em equipe são fundamentais para o sucesso dos atletas africanos.
Detalhes da Corrida e Trajetória
A Corrida Internacional de São Silvestre, que está programada para acontecer na manhã da próxima quarta-feira (31), dará início ao seu percurso às 7h25, com a largada da categoria Cadeirantes. A Elite A e B feminina sairá às 7h40, seguido pela Elite A e B masculina, assim como pessoas com deficiência e o Pelotão Premium masculino e feminino, às 8h05. Em seguida, será a vez do pelotão geral.
Desde 1991, o percurso da prova é de 15 quilômetros, com um traçado que passa por diversos pontos turísticos de São Paulo, com a largada na Avenida Paulista e a chegada em frente à Fundação Cásper Líbero. Com essa nova edição, a São Silvestre reafirma seu status como um ícone do atletismo brasileiro, celebrando a diversidade e a superação na corrida de rua.

