Alagoas em Ascensão: Porto de Maceió e Setor de Gás Natural
Nos últimos anos, Alagoas tem emergido como um importante centro econômico, especialmente por meio de sua infraestrutura costeira. O Porto de Maceió, juntamente com os investimentos no setor de petróleo e gás natural, posiciona o estado como uma conexão vital para o escoamento da produção e para o abastecimento energético do Brasil. Com mais de R$ 1,5 bilhão em investimentos programados até 2030, essas iniciativas visam integrar logística, desenvolvimento urbano, segurança energética e turismo no contexto da Economia do Mar.
A Origem Energia, que atua em Alagoas desde 2021 após a aquisição de ativos da Petrobras, está se preparando para implementar o primeiro projeto de Estocagem Subterrânea de Gás Natural (ESGN) do Brasil, na cidade de Pilar. Recentemente, o projeto recebeu a licença ambiental prévia do Instituto do Meio Ambiente (IMA), e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou a minuta de autorização que prevê um investimento de R$ 100 milhões em parceria com a TAG.
A aprovação da ANP, ocorrida na semana passada durante uma reunião da diretoria colegiada, permitiu o avanço da primeira fase da estocagem subterrânea. Essa autorização estabelece as condições técnicas necessárias para o projeto, que ainda deve ser publicado no Diário Oficial da União, com a operação comercial sujeita a uma autorização futura da agência reguladora.
Na fase inicial, a capacidade de armazenamento do projeto será de 106 milhões de metros cúbicos por ano, com potencial de expansão para 500 milhões de m³/ano no futuro. O modelo adotado se baseia em experiências internacionais, embora seja inédito no Brasil. A estrutura utilizará reservatórios já depletados, poços perfurados e dutos existentes.
“Apesar de ser uma tecnologia com mais de um século de uso global, ela é pioneira aqui. Estamos dedicados há três ou quatro anos para desenvolver uma regulação apropriada e para preparar o reservatório para essa nova função. Temos confiança de que, ainda em 2023, Alagoas será a primeira a operacionalizar a estocagem de gás natural no Brasil”, afirmou Luiz Felipe Coutinho, CEO da Origem Energia, em conversa com o Movimento Econômico em julho.
Paralelamente à estocagem subterrânea, a empresa planeja investir mais US$ 500 milhões na construção de usinas termelétricas em Alagoas até 2030, com uma capacidade inicial de 500 megawatts. A construção, no entanto, dependerá dos resultados do próximo Leilão de Reserva de Capacidade. “O objetivo é transformar Alagoas na principal fonte de energia do sistema elétrico brasileiro”, destacou Coutinho.
Ao todo, a Origem prevê investir US$ 700 milhões no estado. Apenas nas operações de manutenção e expansão dos campos já existentes, são alocados anualmente cerca de US$ 100 milhões (aproximadamente R$ 600 milhões). Esses investimentos reforçam a posição estratégica de Alagoas na área de energia, aumentando a oferta e a segurança do suprimento.
Porto de Maceió: Um Impulsor de Turismo e Comércio
O Porto de Maceió tem se consolidado como um importante atrativo turístico no Nordeste, especialmente com os cruzeiros. Para fortalecer sua atuação, o porto está se preparando para receber R$ 150 milhões em investimentos até 2027, provenientes de recursos públicos e privados. Desse montante, R$ 30 milhões serão investidos diretamente pela administração portuária, com foco na construção de uma nova sede, aquisição de equipamentos, como balanças e defensores, além de melhorias na segurança operacional.
Os outros R$ 125 milhões virão de capital privado, destinados à expansão das atividades e à requalificação de áreas estratégicas. As melhorias incluem a pavimentação interna e a aquisição de guindastes e um ship loader, equipamento utilizado para o embarque de grãos e sólidos a granel, além da revitalização da orla portuária em colaboração com a Prefeitura de Maceió.
A primeira fase da revitalização da orla, que abrange a área entre Jaraguá e Pajuçara, já está 75% concluída. O projeto inclui uma pista para corredores, ciclovias, iluminação em LED, mirantes e áreas de convivência, com um investimento de R$ 8,5 milhões oriundos de recursos municipais. A segunda fase contemplará uma contenção marítima de 200 metros e melhorias na segurança para pedestres e ciclistas.
Terminal de Passageiros: Concessão à Iniciativa Privada
Outra conquista significativa para o futuro do Porto foi o leilão do Terminal Marítimo de Passageiros (TMP), arrematado em novembro de 2025 pelo Consórcio Britto–Macelog. A concessão, com validade de 25 anos, prevê investimentos de R$ 3,7 milhões para modernização, construção de um estacionamento com 112 vagas e requalificação de mais de 3 mil metros quadrados da área.
O intuito é ampliar a capacidade do terminal, que atualmente atende até 612 passageiros diariamente, além de atrair novas companhias de cruzeiro e expandir rotas. Essa ação faz parte de uma estratégia nacional para revitalizar portos voltados ao turismo, conforme informa o Ministério de Portos e Aeroportos.
“Esta iniciativa vai gerar empregos diretos e indiretos, movimentar setores como hotelaria e comércio, e consolidar Maceió como um polo de infraestrutura portuária”, declarou o ministro Silvio Costa Filho.
Diogo Holanda, administrador do Porto de Maceió, também ressaltou a importância da concessão do TMP. “Isso valida a vocação turística e logística do Porto de Maceió, abrindo espaço para novos investimentos e oportunidades. A parceria com a CODERN é crucial para fortalecer a governança e atrair iniciativas que beneficiem a região como um todo”, observou.
A Relevância do Porto na Economia Alagoana
Apesar de uma leve queda nas operações de carga neste ano, os dados mais recentes da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) reafirmam a importância do terminal para a economia de Alagoas. Entre janeiro e outubro de 2025, o Porto de Maceió movimentou 1,9 milhão de toneladas, representando uma diminuição de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa redução foi impulsionada principalmente pelo desempenho negativo do granel sólido, com 1,5 milhão de toneladas (-12,65%). Em contrapartida, o granel líquido cresceu consideravelmente, com um aumento de 12,89%, alcançando 429 mil toneladas.
As mercadorias mais movimentadas incluem o açúcar, que totalizou mais de 925 mil toneladas, quase metade do volume total transportado no período. Também se destacam derivados de petróleo, fertilizantes, sal e adubos, evidenciando a diversidade das operações do terminal.
A cabotagem, o transporte entre portos nacionais, também teve um desempenho positivo, com mais de 310 mil toneladas movimentadas, representando um crescimento de 11,13% em comparação a 2024. Contudo, o comércio internacional sofreu uma leve queda de 14,28%, com uma redução mais acentuada nas importações (-34,19%).
Esses números, apesar das flutuações, mantêm o Porto de Maceió como o mais relevante do estado e um dos maiores do Nordeste, de acordo com a própria Antaq.
O economista Fábio Leão enfatizou que a exploração sustentável do litoral e a diversificação produtiva são fundamentais para um crescimento robusto e menos vulnerável a oscilações. “Alagoas deve investir em atividades de alto valor e em uma infraestrutura inteligente. O mar e suas adjacências oferecem uma oportunidade única. Projetos como a estocagem subterrânea de gás e a modernização do porto demonstram que o estado pode ir além do turismo, consolidando uma economia mais estável, alinhada à transição energética e ao comércio global”, conclui Leão.

