Registro cultural em meio às mudanças urbanas
Quando um território sofre transformações, famílias são forçadas a deixar seus lares e espaços que por décadas foram pontos de referência para uma comunidade desaparecem do cotidiano, restam as memórias. Essas lembranças ganham força especialmente quando existem ações dedicadas a escutá-las, registrá-las e proteger esse patrimônio intangível.
Nesse cenário, a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), por meio da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes), em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), apresenta o lançamento do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial (IPCI Maceió). O encontro acontece nesta quarta-feira (7), às 18h30, no Museu Théo Brandão, situado no Centro de Maceió.
Inventariar para preservar saberes e tradições
O IPCI Maceió é um projeto que busca identificar as referências culturais e as memórias dos fazedores de cultura dos bairros impactados pelo risco de afundamento do solo, contemplando as regiões de Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro. Essa ação representa um esforço significativo para registrar e salvaguardar a cultura produzida e vivida por essas comunidades.
Mais que uma simples coleta de dados, o inventário reconhece que o patrimônio cultural está presente nas pessoas, nos saberes, nas celebrações, nas práticas, nas expressões artísticas e nas formas como as comunidades constroem vínculos com seus territórios. Segundo dados divulgados pelo MPF, o levantamento identificou 330 fazedores de cultura e 75 expressões culturais ao longo do processo.
Memória ativa em meio às transformações
O valor do IPCI se torna ainda mais evidente diante das mudanças provocadas pelo afundamento do solo em Maceió. A necessidade de desocupar essas áreas causou não só alterações físicas no espaço urbano, mas também a dispersão de moradores, mestres e grupos culturais.
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Registrar essas referências é uma forma de garantir que as histórias e práticas culturais dessas comunidades não sejam apagadas pelas alterações no território. O caráter participativo do projeto coloca os próprios fazedores de cultura no centro desse processo, valorizando seus conhecimentos e experiências para contar histórias que vão além dos mapas e das construções.
Museu Théo Brandão: espaço de memória e diálogo
A escolha do Museu Théo Brandão para o lançamento do inventário carrega um significado especial. Vinculado à Ufal, o Museu é dedicado à preservação, pesquisa, difusão e valorização da cultura popular alagoana, funcionando como um ponto de encontro entre universidade, cultura e sociedade.
Para a diretora do Museu, Hildênia Oliveira, iniciativas como essa reforçam a missão do espaço universitário de acolher, preservar e promover as diversas histórias que compõem a cultura local. “O lançamento é uma devolutiva à sociedade, uma celebração que destaca a riqueza cultural dessas regiões afetadas pelo afundamento do solo. Mapear e registrar esse patrimônio é fundamental para que ele seja conhecido e reconhecido”, afirma.
Universidade e comunidade em diálogo contínuo
A Ufal reafirma seu compromisso com a produção de conhecimento em diálogo com a sociedade, colocando-o a serviço da preservação da história local. O inventário oferece subsídios para ampliar o entendimento sobre as referências culturais dessas áreas e apoiar políticas públicas voltadas para a cultura e a memória.
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Fonte: diretodecaxias.com.br
Desde a apresentação inicial dos resultados em 2025, o projeto tem sido reconhecido como um instrumento importante para resgatar a memória coletiva e a identidade cultural dos moradores. O trabalho segue acompanhado pelo Ministério Público Federal e pelo Ministério Público do Estado de Alagoas.
Mais que um documento ou base de dados, o lançamento simboliza um momento de reconhecimento: olhar para o que permanece mesmo quando o território se transforma – as pessoas, suas histórias e a cultura que ajudaram a construir.
A Ufal, por meio do Museu Théo Brandão, abre suas portas para este encontro que reforça a importância de preservar memórias como forma de cuidar do presente e construir o futuro.
Serviço
Lançamento do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial (IPCI Maceió)
Data: 7 de outubro de 2026
Horário: 18h30
Local: Museu Théo Brandão – Praça Sinimbu, Centro, Maceió/AL
Realização: Universidade Federal de Alagoas, por meio da Fundepes, e Ministério Público Federal.

