Decisão do TRE-RJ barra candidatura por apoio do Comando Vermelho
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) rejeitou a candidatura de Mariana de Souza (Progressistas) a deputada federal, alegando que sua campanha conta com o respaldo do Comando Vermelho (CV). A candidata reside no Complexo da Penha e é casada com Wilson Marques de Albuquerque, conhecido como Zé Dirceu, apontado pela Secretaria de Segurança de Alagoas como o segundo na hierarquia da facção naquela unidade federativa.
Recurso e defesa da candidata
Mariana recorreu da decisão, afirmando que foi enganada por Albuquerque, que teria se apresentado a ela como Fábio. Segundo sua defesa, após descobrir o passado e a condição de foragido do marido, ela rompeu o vínculo e não mantém mais contato com ele. Enquanto o recurso é avaliado, a candidata continua sua campanha na Penha.
Fuga e histórico criminal de Albuquerque
Wilson Marques de Albuquerque fugiu em setembro de 2017 do Presídio de Segurança Máxima 2, em Maceió, junto com outros 11 detentos, após serrar as grades da cela durante a madrugada. A fuga foi descoberta somente na manhã seguinte. Desde então, ele está foragido, com mandados de prisão ativos por tráfico de drogas e roubo.
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Antes de conhecer Mariana, Albuquerque foi condenado a 15 anos de prisão por usar uma ex-namorada como “mula” para transportar drogas. A polícia de Alagoas identificou que ele, mesmo preso, orientava a mulher por telefone a encontrar imóveis para armazenar cargas de cocaína destinadas à revenda em Maceió. A partir dessas comunicações, as autoridades apreenderam sete quilos de pasta-base em março de 2012.
Relacionamento e cerimônia oficial
Levantamento do Ministério Público Eleitoral (MPE) aponta que Mariana e Albuquerque iniciaram o relacionamento em 2021, após a chegada dele ao Rio. O casal teve um filho dois anos depois e formalizou a união em 4 de janeiro de 2025, numa cerimônia realizada na Igreja Batista no Grotão, dentro do Complexo da Penha. Apesar de alegar desconhecer a identidade do marido como foragido, Mariana evitava expor o rosto dele nas redes sociais, sempre ocultando sua imagem nas fotos divulgadas.
Outras tentativas de infiltração do CV nas eleições
No pedido de impugnação da candidatura, o MPE também destacou que esta não seria a primeira investida do Comando Vermelho de Alagoas para infiltrar integrantes no processo eleitoral. Em 2024, um áudio interceptado pela polícia revelou que José Emerson da Silva, o Nem Catenga, outro líder da facção no Complexo da Penha, incentivou Patrick de Almeida Silva, o PTK, influenciador alagoano, a concorrer a vereador em Maceió pelo grupo, afirmando: “Nós vamos ter que ter um representante nosso aí pra dar continuidade”.
Reação da candidata e situação atual
Mariana não respondeu aos contatos do GLOBO. Em vídeo divulgado nas redes sociais, negou ter apoio do CV na sua campanha. Ela ressaltou que em 2024 recebeu quase 2 mil votos e questionou: “Se eu tinha apoio da organização local, por que não obtive mais votos? Se estava com a máquina da organização, por que não ganhei a eleição? Querem me criminalizar por ser da comunidade”. Os demais citados na reportagem não foram localizados para comentar.

