Endividamento cresce entre famílias de Maceió
Quase 85% das famílias de Maceió encerraram agosto com algum tipo de dívida ativa, seja cartão de crédito, carnê, empréstimo ou financiamento. O índice de endividamento chegou a 84,6%, o maior da série recente da Pesquisa de Endividamento e inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pelo Instituto Fecomércio AL em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Apesar do avanço, a inadimplência apresentou uma leve redução: a parcela de famílias com contas em atraso caiu de 34% para 33,8%, e aquelas que declararam não ter condições de pagar suas dívidas diminuíram de 9,4% para 9,2%.
Crédito ocupa espaço crescente no orçamento
Na comparação com julho, o endividamento subiu 0,3 ponto percentual e, em relação a agosto de 2025, avançou 5 pontos percentuais, quando estava em 79,6%. Para Lucas Sorgato, assessor econômico do Instituto Fecomércio AL, esses números indicam que o crédito está cada vez mais presente no orçamento das famílias maceioenses. “Praticamente 85 de cada 100 famílias possuem algum tipo de dívida, o que evidencia que apenas uma pequena parcela consegue passar o mês sem compromissos financeiros relacionados a cartão, carnê, empréstimos ou financiamentos”, comenta.
Perfil do endividamento e principais modalidades
O levantamento aponta mudanças no grau de endividamento entre julho e agosto. A parcela de famílias que se consideram “muito endividadas” subiu de 14,6% para 15,8%, enquanto o grupo dos “mais ou menos endividados” ampliou de 31% para 39,3%. Já os “pouco endividados” caíram de 38,6% para 29,5%. O cartão de crédito segue como a principal forma de dívida, presente em 93,4% das famílias endividadas, aumento em relação a 91,5% registrado em julho. O crédito pessoal também cresceu, passando de 21,9% para 24,2%, e os carnês mantêm a segunda posição, com leve avanço de 26,4% para 26,6%.
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Fonte: triangulodeminas.com.br
Impacto da renda no endividamento e inadimplência
Entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, o percentual de endividados atingiu 84,9% em agosto, ligeiramente acima dos 84,4% de julho. Para aquelas com renda superior a 10 salários mínimos, houve queda de 81,7% para 80,5%, ainda assim bem acima dos 64,6% registrados nessa faixa em agosto de 2025. As contas em atraso se concentram mais nas famílias de menor renda, com inadimplência recuando de 35,4% para 35,2%. Nas famílias de maior renda, o indicador se manteve em 13,4%, embora tenha apresentado aumento frente aos 8,5% de agosto do ano passado.
Perspectivas para o comércio e economia local
Segundo Sorgato, essa diferença evidencia que, apesar do aumento da inadimplência entre as famílias de alta renda, esse grupo mantém maior capacidade de reorganização financeira, renegociação e uso de reservas. Para o comércio de bens, serviços e turismo em Maceió, o cenário sugere manutenção da demanda no curto prazo, já que o crescimento do endividamento não foi acompanhado por aumento significativo da inadimplência. Contudo, a continuidade dessa situação depende de fatores como emprego, renda real, inflação e comportamento dos juros nos próximos meses. “O setor empresarial deve aproveitar a manutenção do consumo, sem perder de vista a qualidade do crédito e a capacidade futura de pagamento dos consumidores”, conclui o assessor econômico.
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Fonte: jornalvilavelha.com.br

