Gracindo Júnior, uma vida dedicada às artes
O ator Epaminondas Xavier Gracindo, conhecido como Gracindo Júnior, faleceu aos 83 anos. O velório está marcado para amanhã (3), no Crematório e Cemitério da Penitência, a partir das 12h10, seguido da cremação às 14h10. Filho do renomado ator Paulo Gracindo, ele iniciou sua carreira no rádio ainda adolescente, estreando na Rádio Nacional em 1959, aos 15 anos. Seu talento o levou a atuar como ator, redator e disc-jóquei, consolidando uma trajetória multifacetada que também abraçou o teatro, a televisão e o cinema.
Do rádio às primeiras novelas da Globo
Apesar de ter cursado psicologia, Gracindo Júnior escolheu o caminho das artes. No contexto político da época, foi cassado pela ditadura militar em 1964 devido à sua militância no Partido Comunista, o que o afastou temporariamente da rádio. Antes disso, já acumulava experiências em emissoras como TV Rio, TV Excelsior e TV Tupi. Foi um dos atores que compuseram o elenco inicial da TV Globo, contratado em dezembro de 1964, meses antes da estreia do canal em abril de 1965. Entre seus trabalhos na emissora, destacam-se novelas como “Rosinha do Sobrado”, “Padre Tião”, “A Rainha Louca”, “A Próxima Atração” e “Os Ossos do Barão”. Também brilharam em seu currículo “O Bem-Amado” e “Supermanoela”.
Marcante papel em “O Casarão” e incursões na direção
O papel que lhe rendeu maior destaque foi o do pintor João Maciel, na novela “O Casarão” (1976), escrita por Lauro César Muniz. A trama atravessava diferentes épocas e contou com a participação de seu pai, Paulo Gracindo, numa interpretação que conectava gerações. No mesmo ano, Gracindo Júnior estreou como diretor teatral com a peça “A Longa Noite de Cristal”. A experiência internacional veio logo depois, com a direção da peça “É”, de Millôr Fernandes, em Portugal, onde a montagem permaneceu em cartaz por quatro meses.
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Fonte: parabelem.com.br
Supervisão de novelas e direção na TV Globo
De volta ao Brasil, ele assumiu a supervisão do núcleo de novelas das 18h na Globo em 1978, iniciando com “A Sucessora”, de Manoel Carlos. Sua atuação se expandiu para a direção de novelas e programas, como “Memórias de Amor”, “Marron-Glacé” e “Os Trapalhões”. Além disso, foi um dos pioneiros na direção e apresentação dos primeiros clipes musicais exibidos no “Fantástico”. Sua ligação com o teatro também se manteve forte, escrevendo e dirigindo peças em homenagem ao pai, como “Paulo Gracindo, Meu Pai”, e dirigindo os últimos trabalhos teatrais do ator Paulo Gracindo.
TV Manchete, retorno à Globo e últimos trabalhos
Em 1984, Gracindo Júnior integrou o elenco da TV Manchete, interpretando Dom Pedro 1º em “A Marquesa de Santos”. Voltou à emissora para trabalhos em “Dona Beija”, “Tudo ou Nada”, “74.5” e “Uma Onda no Ar”. Seu retorno à Globo trouxe participações em minisséries e novelas como “Tenda dos Milagres”, “Mandala”, “O Salvador da Pátria”, “Rainha da Sucata”, “Deus nos Acuda”, “Explode Coração” e “Anjo de Mim”. No século 21, manteve presença em produções como “Esplendor”, “Aquarela do Brasil” e “Celebridade”, interpretando Ubaldo Quintela, um personagem complexo que passou 15 anos preso.
Atuação na Record e dedicação ao teatro
A partir de 2006, Gracindo Júnior atuou em novelas da Record, como “Cidadão Brasileiro” e “Poder Paralelo”, além da minissérie “Rei Davi”. Paralelamente, permaneceu ativo no teatro, participando de mais de 20 peças em diferentes funções, seja como ator, produtor ou diretor. Sua trajetória reflete uma dedicação intensa à cultura brasileira, atravessando diversas linguagens e deixando uma marca que se estende para além das telas e dos palcos.
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Fonte: feirinhadesantana.com.br
O legado de Gracindo Júnior será lembrado não apenas pelo público que acompanhou suas atuações, mas também pelos profissionais que testemunharam sua versatilidade e compromisso com a arte. Seu trabalho segue disponível para quem deseja conhecer mais sobre a história da dramaturgia nacional.

