JHC em jogo na política de Alagoas
Em um movimento que pode alterar o cenário eleitoral alagoano, o ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PSDB), conhecido como JHC, considera deixar a disputa pelo governo para disputar uma vaga no Senado. A decisão ocorre em meio a uma tentativa de reaproximação com o presidente Lula (PT) e pressões que envolvem tanto aliados do petista quanto o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), até então aliado de JHC e também candidato ao Senado.
Essa guinada evitaria um confronto direto com a família Calheiros, apoiada por Lula, que terá o ex-ministro Renan Filho (MDB) como candidato ao governo. No entanto, pode gerar atritos com Lira, que trabalha para consolidar sua candidatura ao Senado, beneficiando-se da desistência de Alfredo Gaspar (PL) e articulando apoios entre prefeitos alinhados ao senador Renan Calheiros (MDB), que busca reeleição.
Pressão da Polícia Federal e encontros estratégicos
Na última segunda-feira, a Polícia Federal deflagrou uma operação para investigar a compra de R$ 97 milhões em papéis do Banco Master pelo instituto de previdência de Maceió, durante a gestão de JHC. A operação ocorre enquanto o ex-prefeito buscava uma reunião com Lula em Brasília, encontro ocorrido fora da agenda oficial e revelado pelo blog do colunista Lauro Jardim. JHC retornou à capital federal na quinta-feira, prolongando a indefinição sobre sua candidatura, cujo registro deve ser formalizado até o sábado, conforme o prazo da Justiça Eleitoral.
Reeleito em 2024 como prefeito de Maceió pelo PL, JHC se afastou da base do ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente após a nomeação de sua tia, Marluce Caldas, para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) por Lula em agosto do ano passado. Fontes próximas a Lula indicam que JHC demonstrou inicialmente intenção de alinhamento com o presidente, mas desde então tem emitido sinais contraditórios, culminando no distanciamento até o recente encontro.
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Articulações políticas e empréstimo milionário
Incentivado por Arthur Lira a disputar o governo estadual, JHC surpreendeu ao não comparecer à convenção do PSDB que oficializou sua candidatura. Lira busca facilitar sua corrida ao Senado, articulando apoios e aproveitando que Alfredo Gaspar desistiu para se lançar vice de Flávio Bolsonaro. No entanto, a indecisão de JHC é visível: em suas redes sociais, ele promove viagens por Alagoas com promessas de mudanças, sem firmar compromisso com a disputa ao governo.
Na quinta-feira, o Senado aprovou uma mensagem enviada por Lula autorizando a prefeitura de Maceió a contratar um empréstimo de US$ 150 milhões junto ao Banco dos Brics, instituição dirigida pela ex-presidente Dilma Rousseff. A relatora foi a senadora Eudócia Caldas (PSDB-AL), mãe de JHC, que vinculou a operação à implantação de um corredor BRT com 450 ônibus, um dos principais projetos da gestão do filho na capital alagoana.
Desconfiança e pressões no entorno político
Apesar dos sinais de aproximação, parte do entorno de Lula mantém reservas em relação a JHC, especialmente após sua recusa em integrar um partido da base aliada do governo, optando pelo PSDB para garantir maior autonomia na definição de sua candidatura. Essa escolha gerou desconforto em Lira, que acompanha de perto os movimentos do ex-prefeito.
Aliados de JHC também manifestam preocupação com as investigações da Polícia Federal, autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, justamente às vésperas da campanha eleitoral. A apuração envolve aportes do instituto de previdência de Maceió no Banco Master, sob supervisão de Ronnie Reyner Mota, aliado do ex-prefeito desde antes da eleição de 2020.
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Cenários eleitorais e estratégias futuras
Considerado um gestor bem avaliado em Maceió, JHC pode ter maiores chances de vitória ao Senado do que ao governo, segundo avaliação de diferentes grupos políticos locais. Caso opte pela disputa ao Senado, a tendência é que ele negocie um pacto de não agressão com a família Calheiros, estratégia semelhante à que Lira busca estabelecer. Entretanto, os caciques do MDB em Alagoas mantêm distância tanto de Lira quanto de JHC.
Após reunião com Lula, Renan Filho reforçou seu apoio à reeleição do petista e publicou uma mensagem interpretada como crítica indireta a Lira e JHC, que evitam posicionamento na eleição nacional. Paralelamente, Flávio Bolsonaro sinalizou a JHC a possibilidade de sua esposa, Marina Candia (PSDB), concorrer ao Senado ao lado de Lira, movimento que agrada JHC, mas que pode dificultar os planos do ex-presidente da Câmara, ao aumentar a concorrência.
O desfecho dessa disputa promete influenciar diretamente o quadro político em Alagoas e a configuração das forças institucionais que conduzirão o estado nos próximos anos.

