Alta significativa nos registros de perseguição em Alagoas
Em Alagoas, os casos de perseguição contra mulheres, conhecidos como stalking, tiveram um crescimento expressivo entre 2024 e 2025. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, o estado registrou 1.851 ocorrências no ano passado, contra 1.287 em 2024, um aumento de 43,8% em apenas doze meses.
Esse crescimento representa 564 novos registros e elevou a taxa de ocorrências de 77,2 para 110,9 casos por 100 mil mulheres, superando a média nacional, que foi de 30,1% no mesmo período. O aumento coloca Alagoas em destaque no cenário nacional sobre esse tipo de violência.
Compreendendo o crime de stalking e suas formas
O stalking foi tipificado como crime no Brasil em 2021, por meio do artigo 147-A do Código Penal. A legislação define perseguição como a conduta reiterada de perseguir alguém por qualquer meio, ameaçando sua integridade física ou psicológica, restringindo sua liberdade ou invadindo sua privacidade. A pena é agravada quando o crime é praticado contra mulheres em razão do gênero.
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Embora muitas vezes associado ao ambiente virtual, o stalking pode se manifestar de várias formas, incluindo ligações insistentes, envio repetitivo de mensagens, monitoramento da rotina da vítima, perseguição presencial, vigilância nas redes sociais e aproximações não autorizadas. Frequentemente, esse tipo de violência está ligado ao término de relacionamentos ou à recusa da vítima em manter contato com o agressor.
Contexto de agravamento da violência contra a mulher em Alagoas
O crescimento dos registros de perseguição ocorre em meio ao aumento de outros tipos de violência contra a mulher no estado. No mesmo período, Alagoas registrou alta de 36,3% nos feminicídios, passando de 22 para 30 casos. Também houve crescimento de 28,7% nos homicídios de mulheres, de 15,2% nas tentativas de homicídio, de 61,4% na violência psicológica e de 12,6% no descumprimento de medidas protetivas de urgência.
Apesar do aumento nos registros de stalking, o Anuário não esclarece as causas desse crescimento. Os dados refletem as ocorrências registradas pelos órgãos de segurança pública e não indicam isoladamente se o aumento se deve a maior incidência do crime, ampliação das denúncias ou aperfeiçoamento na identificação e classificação das ocorrências.
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Importância das medidas de proteção e prevenção
O avanço dos casos de perseguição reforça a necessidade de mecanismos efetivos de proteção previstos na legislação. A perseguição pode ser um indicativo de risco para escalada da violência contra a mulher. A própria Lei Maria da Penha e outras normas permitem considerar situações de stalking na análise de medidas judiciais para proteger as vítimas.
Esses dados evidenciam que a violência contra a mulher vai além dos crimes com lesões físicas ou mortes. O aumento expressivo da perseguição compromete a liberdade, a segurança e a tranquilidade das vítimas, exigindo atenção constante das autoridades e o fortalecimento das políticas públicas de prevenção e acolhimento.

