Vendas disparam após convocação de Neymar para a Copa
A poucos dias do início da Copa do Mundo, o comércio popular da Rua 25 de Março, em São Paulo, vive um momento de otimismo. A convocação da seleção brasileira, anunciada em 18 de maio pelo técnico Carlo Ancelotti, trouxe novo fôlego para as vendas na região, especialmente com a manutenção de Neymar entre os 26 jogadores que representarão o Brasil no Mundial.
“Quando anunciaram que ele ia jogar, as vendas de camisetas da seleção dispararam”, conta Kauan, vendedor da área. A presença do craque do Santos estimula não só a compra de camisas, mas também de acessórios nas cores verde e amarelo, que dominam as vitrines e corredores das lojas.
Consumidores animados investem mais em artigos da seleção
O entusiasmo dos torcedores também reflete no comportamento dos consumidores. Fabiano Mota, empresário carioca, revela que está investindo mais em produtos relacionados à Copa do Mundo em 2024. “Neste ano, estou consumindo mais itens”, afirma, após comprar camisetas para toda a família na Rua 25 de Março. “Acredito que o hexa será nosso. Não tem como não se animar.”
O comerciante Pierre Sfeir, dono da loja Festas e Fantasias, ressalta que o público está muito mais empolgado do que na última Copa, em 2022, quando o país ainda enfrentava os impactos da pandemia. “As vendas explodiram logo após a convocação. O movimento aumentou no dia seguinte e estamos muito contentes. Esperamos que essa alta se mantenha até 19 de julho”, comenta.
Guerra e alta do petróleo pressionam preços, mas não freiam consumo
Apesar da empolgação, os preços dos produtos relacionados à Copa sofreram reajustes. Segundo Pierre, os valores estão cerca de 15% mais altos em comparação ao Mundial anterior. Esse aumento tem relação direta com a valorização do petróleo, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, que encareceu a matéria-prima usada na fabricação de plásticos, além de elevar os custos do diesel e do transporte.
“São produtos populares, acessíveis, para a diversão das pessoas. Não exigem um investimento muito alto”, pondera o comerciante. Entre os itens mais vendidos, destaca-se um kit com 12 artigos — incluindo óculos personalizados, bandeiras, cornetas, confete, maquiagem verde e amarela, além de bastões infláveis — comercializado por R$ 47.
Artigos da Copa mais caros, mas com grande procura
As réplicas das camisetas da seleção também tiveram aumento nos preços. Elas variam de R$ 80 a R$ 320, distribuídas em três categorias principais. A mais barata, conhecida como “primeira linha”, custa R$ 80. A “camisa tailandesa”, considerada de melhor qualidade, sai por R$ 160. Já a versão premium, chamada “tailandesa modelo jogador”, é comercializada por R$ 320.
Para Sfeir, a demanda por essas réplicas é impulsionada tanto pela empolgação dos torcedores quanto pelos altos preços das camisas oficiais, que podem chegar a R$ 750. A poucos dias do Mundial, as camisetas são os produtos mais procurados nas barracas da Rua 25 de Março, enquanto as tradicionais vuvuzelas, vendidas principalmente dentro das lojas, têm preços a partir de R$ 6.
Comparação com a Copa de 2022 e influência das eleições
Vanessa Andrade, que comercializa camisetas da seleção, observa que o movimento atual é intenso, mas lembra que, em 2022, a Copa ocorreu em novembro, logo após as eleições presidenciais, o que influenciou o perfil das vendas. “Na última edição, as vendas começaram antes por causa da disputa entre Bolsonaro e Lula. Muitos compravam camisetas azuis e pretas para manifestações políticas”, explica.
Este ano, porém, o cenário é diferente. “A convocação do tal do Neymar mudou tudo. Foi aí que o movimento começou a aquecer”, destaca Vanessa, reforçando o impacto direto da presença do atleta na lista da seleção para o comércio popular.
Festa junina e Copa somam forças no comércio
Além da Copa do Mundo, os artigos para festas juninas também ganham espaço nas lojas da Rua 25 de Março, contribuindo para o aumento do faturamento. Valéria Guimarães, gerente de contas, aproveitou para comprar itens que combinam as duas celebrações. “Vai ter festa junina com clima de Copa. Vamos decorar com chapéus e artigos do Mundial”, comenta.
Para Pierre, a coincidência das duas festas costuma elevar o faturamento em 20% a 30%, mostrando como o comércio popular se beneficia da combinação dos eventos culturais e esportivos neste período.

