A saída de JHC do PL e o impacto na extrema direita de Alagoas
A migração de João Henrique Caldas, conhecido como JHC, do Partido Liberal (PL) para o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) em abril deste ano provocou uma reestruturação significativa no cenário político alagoano. Ex-prefeito de Maceió, JHC buscou no PSDB uma alternativa viável para disputar o governo do estado, o que resultou em um afastamento claro da família Bolsonaro e da base da extrema direita no estado.
Segundo Luciana Santana, professora de ciência política na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em entrevista ao programa É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, essa mudança surpreendeu até mesmo a base eleitoral de JHC. “A base em Maceió é muito conservadora, tanto que é a única capital do Nordeste onde Bolsonaro venceu nas duas eleições. Isso alterou o tabuleiro eleitoral em Alagoas”, explicou.
Fatores que influenciaram a reconfiguração eleitoral
O cenário atual tem explicações duplas. Em 2022, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistou 94 dos 102 municípios de Alagoas, ampliando sua presença no interior do estado e tornando inviável para JHC manter uma postura alinhada à extrema direita sem perder o eleitorado fora da capital. Paralelamente, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, transferiu a liderança do partido em Alagoas para o deputado federal Alfredo Gaspar, que é pré-candidato ao Senado.
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A ascensão de Gaspar ao comando do PL local bloqueou os planos de JHC em formar uma chapa própria dentro da legenda. Com Renan Filho (MDB) liderando as pesquisas para o governo estadual e contando com o apoio de Lula, JHC tem buscado se reaproximar de lideranças conservadoras, além de ensaiar uma aliança com Gaspar e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP).
Condições para alianças e os próximos passos
Entretanto, essa possível aliança enfrenta obstáculos. Alfredo Gaspar já declarou que só apoiará JHC caso ele se alinhe publicamente a Jair Bolsonaro, uma hipótese que, segundo Luciana Santana, parece improvável. “No final de 2025, JHC já mostrava aproximação com Lula”, observou a cientista política.
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Fonte: diariofloripa.com.br
O atual impasse deixa a extrema direita em Alagoas diante de um vácuo de liderança, enquanto as articulações políticas avançam com vistas às eleições estaduais. O próximo movimento institucional deve considerar tanto a reorganização interna do PL quanto as estratégias dos principais candidatos ao governo, especialmente diante da força dos partidos tradicionais no estado.

