Ministério Público e a Comparação com o Caso Bruno
No centro do caso Davi, quatro policiais militares, sendo três homens e uma mulher, aguardam julgamento em liberdade. Eles enfrentam acusações de homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver. O promotor Thiago Riff trouxe à tona comparações com o famoso caso do goleiro Bruno, argumentando contra uma das principais defesas dos réus, que alega a inexistência de materialidade do crime devido à falta do corpo da vítima.
Riff reforçou que tal argumentação não se sustenta no contexto do julgamento. “Quando não há corpo, frequentemente se diz que a pessoa está viva. Contudo, não devemos ser ingênuos”, comentou o promotor, demonstrando a firme posição do Ministério Público sobre o caso.
O promotor também ressaltou que o papel do MP não se limita a acusar; ele pode, em situações onde não há provas suficientes, pedir a absolvição dos réus. “O MP não é vilão. Já pedi absolvição, inclusive duas somente no mês passado. Aqui estamos julgando o crime, independentemente de antecedentes”, garantiu Riff, defendendo a imparcialidade do órgão.
Testemunhas e Novas Revelações
Um momento marcante durante o julgamento foi a lembrança do promotor sobre a morte de Raniel, uma das principais testemunhas do caso, que foi assassinado apenas três dias após prestar depoimento. “Não podemos ouvi-lo hoje. Ele voltou ao estado e três dias depois foi assassinado”, lamentou Riff, evidenciando o clima de tensão que cercava o processo.
A acusação destacou que Raniel havia identificado quatro dos acusados em uma série de 62 fotos exibidas durante a investigação. Riff questionou: “Qual a probabilidade de alguém reconhecer quatro integrantes de uma mesma guarnição?”. Essa pergunta ressaltou a fragilidade da defesa, que tenta desqualificar as provas apresentadas.
Emoções e Lamentações no Tribunal
O pai de Davi, visivelmente emocionado, não conseguiu conter as lágrimas durante o julgamento e precisou ser atendido por uma equipe médica. A família está profundamente envolvida no caso desde o desaparecimento do adolescente e, mais tarde, com a trágica morte da mãe dele, Maria José, que foi atingida por um tiro em um ataque violento.
Maria José, feirante e ativa na luta por justiça, faleceu em dezembro de 2025 sem ter a oportunidade de ver o desfecho do processo. O julgamento, que já havia sido agendado para outubro de 2025, foi mais uma vez adiado, aumentando a angústia da família.
Defesa dos Acusados e Críticas à Conduta
A promotora Lídia Malta fez questão de esclarecer que os jurados não estão avaliando a Polícia Militar como uma instituição, mas sim a conduta dos réus. “A polícia militar é motivo de orgulho, mas quem rasga o juramento e mata deve ser julgado”, enfatizou Malta, destacando a importância de responsabilização na corporação.
Ela também apontou as contradições nos depoimentos dos acusados e o medo que testemunhas demonstraram durante a investigação. De acordo com a acusação, existem divergências significativas entre os relatos dos réus, bem como inconsistências evidenciadas por elementos técnicos.
Ministério Público Reitera Conduta e Tentações de Intervenções
Na réplica, o Ministério Público reiterou que o julgamento se concentra em possíveis desvios de conduta dos acusados. Durante a sessão, o juiz teve que conter tentativas de intervenção da defesa, afirmando: “Isso aqui não é um circo”. A frase ilustra a tensão e a seriedade do ambiente, onde a busca pela justiça se entrelaça com a dor de uma família em luto.

