Conectando Alagoas ao Futuro da Inovação
No contexto atual, onde produtividade, acesso à tecnologia e maturidade empresarial são desafios significativos para a economia alagoana, Alagoas se prepara para fazer parte de uma rede de inovação com presença tanto no Brasil quanto em outros países. O FCJ Innovation Club, com sede em Maceió, tem como objetivo conectar empresários locais, proporcionando conhecimento, tecnologia e uma valiosa rede de contatos.
Em entrevista ao Movimento Econômico, o consultor executivo Marcos Betiati, que liderará as operações do clube no estado, elucidou como funcionará esse ecossistema inovador. Ao seu lado, estarão João Eustáquio, diretor executivo do FCJ Innovation Club, e Caio Batista, estrategista da StartSe. Segundo Betiati, a inclusão de Alagoas na rede deve ser vista como uma oportunidade para estreitar laços com um ecossistema mais robusto, já interligado a mercados e experiências internacionais. Atualmente, o FCJ Innovation Club conta com 20 embaixadas, sendo 18 no Brasil, além de uma em Portugal e outra nos Estados Unidos.
“A propositura do clube se alinha perfeitamente com meu objetivo de transformar a inovação em um diferencial competitivo”, afirmou Betiati.
O lançamento oficial da iniciativa está agendado para maio, em um evento destinado a empresários, líderes de negócios e profissionais liberais que buscam uma perspectiva disruptiva.
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Setores Promissores: Turismo e Saúde
Dentre os setores que, segundo Betiati, têm maior potencial para absorver inovação e inteligência artificial em Alagoas, destacam-se o turismo e a saúde. O consultor acredita que, por já ser um pilar forte da economia local, o turismo pode se beneficiar significativamente da implementação de novas tecnologias, tanto em gestão quanto em atendimento e análise de mercado.
Ele também vê a saúde como um campo com grande potencial para mudanças profundas nos próximos anos. “Estamos notando uma transformação significativa com o retorno de profissionais que se formaram fora e a crescente adoção de tecnologias nas áreas de diagnóstico e atendimento, o que está aumentando a eficiência clínica”, comentou.
Betiati exemplificou que, anteriormente, um alagoano precisava se deslocar até grandes centros como Recife ou São Paulo para tratamentos mais complexos. No entanto, esse cenário vem mudando, permitindo que as pessoas encontrem soluções mais próximas de casa.
Um exemplo concreto do uso de inteligência artificial na saúde em Alagoas é a redução no tempo de entrega de exames, que agora podem ser realizados com maior rapidez, melhorando a qualidade do atendimento e o acesso aos serviços de saúde.
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“Estamos implementando um processo em uma clínica que abrange desde a prospecção e atendimento ao cliente até o diagnóstico, utilizando inteligência artificial. Com isso, a entrega de exames que antes levava uma semana, agora poderá ser feita em apenas um dia”, explicou.
Conexão e Acesso: O Futuro da Economia Alagoana
A FCJ Group atua como uma rede de venture builder, colaborando com grandes empresas em projetos inovadores. Em Alagoas, a proposta se baseia na criação de condições para que empresários e profissionais locais possam acessar novas ferramentas, estabelecer conexões e inovar na maneira de conduzir seus negócios.
Betiati ressaltou que a chegada do clube ao estado deve ser interpretada à luz de um problema estrutural: a baixa produtividade. Ele destaca que essa questão não resulta apenas da falta de empenho individual ou empresarial, mas está relacionada ao limitado acesso a tecnologias e modelos de gestão avançados.
“Alagoas historicamente aparece nas últimas colocações em produtividade devido a dois fatores principais. O primeiro, e mais importante, é a produtividade, que está intimamente ligada ao acesso à tecnologia”, afirmou Betiati.
Além disso, ele acredita que a visão restrita que se tem sobre inovação também contribui para esse cenário. Para muitos empresários, inovação se resume à aquisição de software ou à digitalização de processos, quando, na realidade, o desafio envolve uma mudança profunda na mentalidade, governança e estratégias empresariais.
“Não se trata apenas de contratar uma empresa de software ou depender de um programador. A integração da inteligência artificial, dos dados e da automação exige uma nova forma de pensar e gerenciar os negócios”, acrescentou.
O grupo tem como objetivo facilitar o acesso dos empresários locais a especialistas e agentes de mercados de outros estados e países. Além disso, pretende proporcionar oportunidades de conexão com venture capital, private equity, eventos estratégicos e negócios que anteriormente estavam disponíveis apenas em grandes centros urbanos.
“Agora, não é mais necessário que o empresário faça uma viagem para São Paulo, arcando com custos de estadia e alimentação, para buscar essas conexões. Tudo isso pode ser acessado diretamente de Alagoas”, concluiu.

