intercâmbio cultural em Foco
No dia 29 de novembro, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, esteve em Pequim em uma missão importante para o fortalecimento da colaboração cultural entre Brasil e China. A agenda da ministra priorizou o setor audiovisual e o intercâmbio artístico, com destaque para uma reunião bilateral com o presidente do China Media Group (CMG) e a participação na apresentação da Orquestra Neojibá na icônica Sala de Concertos da Cidade Proibida.
Pela manhã, Margareth Menezes se reuniu com Shen Haixiong, presidente do CMG, para discutir maneiras de aumentar a presença e a circulação de conteúdos brasileiros no mercado chinês, assim como para estreitar os laços no setor audiovisual. Durante o encontro, ambos os lados reconheceram o crescente interesse do público chinês por produções brasileiras, que têm se mostrado bem recebidas nos cinemas locais.
As possibilidades de parcerias foram um dos pontos altos da conversa, incluindo a proposta de um festival de cinema chinês no Brasil e a participação de produções brasileiras em festivais na China, como o que ocorrerá em Xangai. A troca de ideias foi enriquecida por comentários dos representantes chineses sobre a visão do presidente Xi Jinping quanto ao papel estratégico que Brasil e China desempenham no Sul Global, especialmente no que diz respeito à promoção de uma cultura de paz.
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Em resposta, a ministra enfatizou a prioridade dada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao fortalecimento das relações bilaterais, destacando a cultura como pilar central desse diálogo. “A cultura tem um papel estratégico nesse processo de aproximação. O mundo precisa de exemplos como o nosso, de países diferentes que se unem na defesa da paz, do diálogo e do desenvolvimento compartilhado”, afirmou.
Desenvolvimentos nas Políticas Culturais
Durante a visita, Margareth Menezes também apresentou um panorama das políticas culturais atuais no Brasil, que estão em processo de revitalização e incremento dos investimentos no setor. Entre os assuntos debatidos, a expectativa é de que um memorando de entendimento entre Brasil e China seja formalizado em breve, uma vez que está em tramitação no Congresso Nacional e visa ampliar a cooperação cultural entre os dois países.
À noite, a ministra assistiu à apresentação da Orquestra Neojibá, parte da programação do Ano Cultural Brasil–China. O concerto, que reuniu 94 jovens músicos baianos sob a regência de Ricardo Castro, brindou o público com um repertório que homenageou compositores das Américas, incluindo George Gershwin, Heitor Villa-Lobos, Maestro Duda e Arturo Márquez.
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Fonte: daquibahia.com.br
Um dos momentos mais emocionantes do evento foi a execução da obra “Kamarámusik”, composta por Jamberê Cerqueira, que foi interpretada pelo percussionista baiano Raysson Lima, de apenas 21 anos. Raysson, que iniciou sua formação musical ainda na infância, retornou como solista, simbolizando o impacto positivo do programa Neojibá na vida de jovens talentos.
A Importância da Música como Conector Cultural
Na ocasião, a ministra sublinhou o impacto social e cultural do Neojibá, afirmando que “o projeto transforma vidas e acolhe milhares de jovens em diversas cidades da Bahia, mostrando como a cultura pode abrir caminhos e criar oportunidades”. Ela também declarou que “a música é o nosso passaporte”, ressaltando a natureza universal da arte e seu poder de conectar diferentes povos e realidades.
“Ver esses jovens talentos brasileiros se apresentando aqui, no contexto do Ano Cultural Brasil–China, é um motivo de muito orgulho”, destacou Menezes, fazendo alusão ao potencial da música para construir pontes entre as nações.
Fundado em 2007, o Neojibá é uma iniciativa do Governo da Bahia voltada à formação musical e inclusão social, que já impactou positivamente mais de 42 mil crianças, adolescentes e jovens em todo o estado da Bahia.
Brasil e China: Uma Parceria em Expansão
A relação entre Brasil e China, que foi formalizada em 1974, evoluiu nas últimas décadas e se tornou uma das mais relevantes do cenário internacional. Ambas as nações atuam em conjunto em fóruns como BRICS e G20, e possuem colaborações estratégicas que abrangem áreas como tecnologia, energia e sustentabilidade. Nesse contexto, o Ano Cultural Brasil–China se destaca como um marco na maturidade dessa parceria, reforçando a dimensão humana e criativa desse diálogo.

