Capacitação em Alagoas: Conclusão do Percurso Formativo Territorial
A Secretaria de Estado da Mulher de Alagoas (Semu) finalizou nesta semana o Percurso Formativo Territorial do programa Alagoas Lilás, com a realização da última etapa no município de Pilar, situado na Região Metropolitana de Maceió. Este ciclo de capacitações percorreu diversas regiões do estado com um foco claro: preparar profissionais para oferecer uma assistência mais qualificada às mulheres que enfrentam situações de violência.
Ao longo de 17 edições, o programa buscou aprimorar os fluxos de atendimento e a agilidade nas respostas, além de fomentar uma abordagem mais acolhedora para as vítimas. Este esforço conta com a participação de especialistas de institutos renomados, como Geni e Natura, além de psicólogos do Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam), que colaboram na formação dos profissionais envolvidos.
Uma das psicólogas atuantes no Ceam, que preferiu não se identificar, compartilhou que o principal objetivo do Percurso Formativo Territorial é assegurar um atendimento ético e humanizado às mulheres que sofrem com a violência. “As capacitações são fundamentais para que os profissionais compreendam a violência como um fenômeno complexo e multifatorial, evitando práticas que possam re-vitimizar as mulheres, como julgamento ou culpabilização”, destacou a profissional.
Metodologias e Conteúdos Envolvidos na Capacitação
Para garantir uma formação eficaz, as instrutoras optam por metodologias teórico-práticas que enfocam a aplicabilidade no cotidiano dos serviços prestados. Os temas abordados incluem:
- Tipos e ciclos da violência (física, psicológica, moral, patrimonial e sexual);
- Dinâmica da violência doméstica e de gênero;
- Rede de proteção e fluxos de encaminhamento;
- Escuta qualificada e acolhimento;
- Avaliação de risco e medidas protetivas;
- Aspectos legais, com ênfase na Lei Maria da Penha;
- Impactos psicológicos do trauma.
O resultado é um atendimento mais qualificado que promove uma escuta atenta e livre de julgamentos, validando as experiências das mulheres. Além disso, a capacitação visa desenvolver uma postura empática e ética, o que minimiza abordagens que possam ser consideradas invasivas.
A profissional do Ceam complementou: “A capacitação também proporciona segurança no manejo de crises, preparando os profissionais para enfrentar situações de risco. É essencial respeitar o tempo da vítima, reconhecendo que a ruptura do ciclo de violência é um processo gradual e que o direcionamento adequado deve ocorrer no momento certo”.
Integração entre Órgãos para Melhor Atendimento
Uma das chaves para aprimorar o acolhimento das mulheres é a integração dos diversos órgãos envolvidos, que se dá por meio da rede de enfrentamento à violência contra a mulher. Essa rede abrange setores como saúde, assistência social, segurança pública, sistema de justiça e organizações de apoio, funcionando de maneira a evitar que as vítimas se sintam perdidas entre tantos serviços disponíveis.
A comunicação interinstitucional é essencial, garantindo a continuidade do atendimento e promovendo encontros para discutir casos e alinhar estratégias. Protocolos conjuntos são estabelecidos para orientar as atuações de forma integrada, sempre respeitando a privacidade das informações das vítimas.
“Essa articulação resulta em um atendimento mais efetivo e contínuo, reduzindo falhas e fortalecendo a proteção das mulheres”, afirmou uma integrante do Centro Especializado de Atendimento à Mulher.
Resultados e Perspectivas Futuras
Com a finalização da edição de Pilar, o Percurso Formativo Territorial entregou capacitação em 97% dos municípios de Alagoas. Cada uma das 17 etapas foi realizada em um município-sede, recebendo representantes de cidades vizinhas.
Izabelly Keline, Superintendente de Políticas para Mulheres na Semu, expressou esperança de que a conclusão deste primeiro módulo de capacitação leve à diminuição do sofrimento contínuo das vítimas, frequentemente exacerbado por processos institucionais insensíveis. “Esperamos que a revitimização diminua e a qualidade do atendimento melhore, ampliando o acesso das mulheres aos serviços disponíveis. Com isso, acreditamos que conseguiremos prevenir a violência e reduzir os feminicídios no estado”, disse.
Izabelly também indicou que a próxima fase do programa está programada para ocorrer entre junho e agosto, com a seleção de dois representantes de cada município participante. “Essas pessoas passarão por uma nova formação, a rota crítica, para que possam atuar como multiplicadoras da política em seus municípios”, completou.
Alagoas Lilás: Uma Iniciativa Inovadora
Instituído em 1º de agosto de 2025, o Alagoas Lilás se destaca como a primeira política pública estadual permanente no Brasil destinada ao enfrentamento da violência doméstica contra a mulher. O objetivo central é fortalecer a rede de proteção, humanizar o acolhimento e integrar os 102 municípios alagoanos em ações de prevenção, proteção e apoio especializado.

