Desempenho Comercial de Alagoas em Março
No último mês de março, a China se consolidou como o principal parceiro comercial de Alagoas nas transações de importação e exportação. A volta dos embarques de minério de cobre diversificou a pauta exportadora do estado, que agora vai além do açúcar. No entanto, essa movimentação não impediu que Alagoas registrasse um déficit de US$ 22 milhões, resultado da alta nas importações e da instabilidade geopolítica no Oriente Médio, que já afeta a compra de fertilizantes e gera preocupações sobre os custos de produção agrícola.
Segundo informações disponibilizadas pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC), Alagoas alcançou, em março, um total de US$ 86,5 milhões em exportações, o que representa uma queda de 20,6% em comparação ao mesmo mês de 2025. Em contrapartida, as importações atingiram US$ 109,1 milhões, um aumento expressivo de 64,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A receita corrente líquida, superior a US$ 195,5 milhões em março, apresentou um crescimento de 11,7% frente ao mesmo período de 2025. Esse cenário culminou em um déficit de US$ 22,5 milhões.
Minério de Cobre e Diversificação das Exportações
Dentro da pauta exportadora, o açúcar foi responsável por US$ 51,6 milhões, correspondendo a 59,7% do total exportado. O minério de cobre e seus concentrados geraram US$ 32,5 milhões, representando 37,5% das vendas externas de Alagoas. Outros produtos incluídos nas exportações foram tabaco, frutas, óleos combustíveis e itens da indústria de transformação.
A China destacou-se novamente como o maior comprador dos produtos alagoanos, absorvendo 37,8% das exportações, enquanto a Argélia se posicionou em segundo lugar com 37,1% e a Geórgia em terceiro, com 13,1%. No que diz respeito às importações, a China também liderou, respondendo por impressionantes 59,9% do total. A França ficou em segundo lugar com 5,1%, seguida pelos Estados Unidos, que forneceu 4,8% dos produtos adquiridos em março.
Dependência de Produtos Importados e Desafios Futuros
A maior parte dos produtos importados por Alagoas refere-se a equipamentos industriais. Aeronaves e componentes relacionados foram as principais aquisições, totalizando 4,7% do total, enquanto equipamentos de telecomunicações e adubos ou fertilizantes somaram 3,9% e 3,8%, respectivamente.
A volta do minério de cobre à pauta exportadora é vista com otimismo por Dielze Mello, gerente do Centro Integrado de Negócios da Federação das Indústrias de Alagoas (CIN/FIEA). Ela destacou que essa adição representou um aumento significativo nas exportações de março, colocando a China como um mercado estratégico para o estado. “O minério de cobre não tinha tido volume de exportações este ano. Além disso, houve um aumento notável no volume de óleo e derivados de coco, o que fortalece as indústrias locais”, comentou Dielze.
Entretanto, apesar do crescimento nas exportações, o elevado volume de importações expõe a dependência do estado em produtos que alimentam a indústria. Essa situação foi refletida no déficit de US$ 22 milhões. “As importações mostram a dependência em produtos importados, principalmente insumos que enfrentaram oscilação significativa nos preços, o que contribuiu para esse déficit. O nosso desafio é aumentar a competitividade das nossas exportações para diminuir essa diferença e promover um crescimento mais sustentável”, concluiu Dielze.
Impactos das Conflitos no Oriente Médio nas Importações de Fertilizantes
Os conflitos no Oriente Médio também afetaram as importações alagoanas. Em março, o estado adquiriu US$ 4,1 milhões em adubos e fertilizantes, uma queda em relação aos US$ 5,3 milhões de fevereiro. Essa diminuição se deve à instabilidade geopolítica e ao fechamento do Estreito de Ormuz, que gerou um choque na oferta de commodities.
A análise do CIN Alagoas sugere que a redução nas compras de fertilizantes pode ser uma estratégia dos compradores para pressionar uma estabilização mais rápida nos preços atualmente praticados. De acordo com um estudo da Raboresearch Alimentos e Agronegócio, a disponibilidade global de fertilizantes deve apresentar queda neste ano, em comparação com a crise enfrentada pelo setor em 2022.
O estudo indica que a disponibilidade de nitrogênio deve ser negativa em -1,17, com uma produção projetada de 110 milhões de toneladas para um consumo de 109 milhões. Já os fosfatados devem ter um índice negativo de -0,55, com previsão de produção de 32,2 milhões de toneladas e consumo de 31,2 milhões. Por outro lado, o índice de disponibilidade de potássio deve ser positivo em 0,03, com produção e consumo estimados em 45 milhões de toneladas até 2026.

