Desigualdade Educacional em Alagoas
Em Alagoas, um dado alarmante chama a atenção: cerca de uma em cada quatro mães de alunos com idades entre 13 e 17 anos não completou o ensino fundamental ou sequer teve acesso à educação. Essa informação é fruto da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo posiciona o estado, juntamente com a capital, como referentes em índices preocupantes de escolaridade.
Os dados divulgados pela Agência Tatu mostram que Alagoas ocupa o primeiro lugar no Brasil, com 25,2% das mães de estudantes das redes pública e privada sem instrução ou com o fundamental incompleto. Embora tenha havido uma queda de 11,8 pontos percentuais desde 2019, quando a taxa era de 37%, o estado ainda apresenta o índice mais elevado do país.
Enquanto os outros estados reportaram uma redução nos números negativos, Alagoas também observou um leve aumento na porcentagem de mães com ensino superior. Em 2019, essa taxa era de 12,2%, e em 2024 alcançou 16,6%.
Maceió em Destaque entre as Capitais
Na capital alagoana, Maceió, a situação é igualmente preocupante. Segundo a pesquisa, 17,2% das mães de alunos na cidade não possuem qualquer escolaridade, a maior proporção registrada entre todas as capitais do Brasil. Esse índice supera a média nacional, que é de 11%. Além de Maceió, outras três capitais nordestinas, Natal, Aracaju e Fortaleza, estão entre as que enfrentam desafios similares.
Desigualdades Regionais no Nordeste
Quando se analisa o panorama regional, o Nordeste apresenta o maior percentual de mães sem escolaridade ou que não completaram o fundamental, com 23,6%. O Norte segue com 19,5%, enquanto o Sul, Centro-Oeste e Sudeste registram 17%, 14,4% e 13,5%, respectivamente. A pesquisa também revelou que, entre as mães da rede privada, 3,2% no Nordeste não tinham instrução, em comparação a 2,2% no Sudeste, 2% no Norte e 1,9% no Sul e Centro-Oeste.
O Contexto por Trás dos Números
A professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Jeane Felix, especialista em Educação, analisa os dados e aponta que eles refletem um histórico de desigualdades educacionais que persistem, especialmente na região Nordeste. Para ela, essa realidade se traduz em dificuldades enfrentadas por mães com baixa escolaridade, que lutam para retornar à escola devido à falta de apoio e condições financeiras. “A maternidade na adolescência é um fator que agrava essa situação”, destaca Jeane.
De acordo com a professora, essa ausência de suporte adequado dificulta o retorno à educação, perpetuando um ciclo de baixa escolaridade. “Se a mãe jovem não tiver uma rede de apoio, ela encontrará dificuldades para conciliar a maternidade e os estudos”, acrescenta.
Embora haja um percentual significativo de mães com baixa escolaridade que mantêm os filhos na escola, Jeane observa que isso está vinculado à valorização da educação. Contudo, ela ressalta a necessidade de políticas públicas que garantam a universalização do ensino básico: “Sem essas iniciativas, a situação estaria ainda mais crítica”.
A Importância de Iniciativas Educacionais
A educadora também enfatiza a relevância de programas como a Educação de Jovens e Adultos (EJA), que oferece oportunidades para mulheres que interromperam seus estudos. “Para muitas, essa é a única chance de recomeçar”, afirma. Jeane adverte que a pesquisa considera apenas os alunos matriculados, o que exige cautela na interpretação dos dados, especialmente em relação aos jovens que estão fora da escola.
Avanços e Desafios no Ensino Superior
Sobre o leve aumento de mães com ensino superior, a professora destaca que esse avanço se deve à ampliação do acesso à educação, embora ainda haja barreiras relacionadas à permanência na universidade. “O desafio vai além do acesso; é fundamental que essas mulheres possam concluir sua formação”, conclui.
Sobre a PeNSE
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), conduzida pelo IBGE em parceria com os ministérios da Saúde e da Educação, investiga os fatores que influenciam a saúde de adolescentes brasileiros. A edição de 2024 em Alagoas envolveu 161 escolas, abrangendo a capital e o interior do estado, e cerca de 6.700 estudantes, que frequentam do 7º ao 9º ano do ensino fundamental e da 1ª à 3ª série do ensino médio, nas redes pública e privada.

