Ações Emergenciais em Dourados
O Governo Federal do Brasil está intensificando sua resposta à crise sanitária em Dourados, Mato Grosso do Sul, em decorrência do aumento dos casos de chikungunya. Para isso, foi mobilizada uma força-tarefa interministerial que reúne esforços de saúde, assistência, defesa civil e logística no município, visando atender principalmente as comunidades indígenas afetadas.
Para apoiar essa iniciativa, foram garantidos mais de R$ 3,1 milhões em recursos emergenciais. Desses, R$ 1,3 milhão foram autorizados pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) para ações de assistência humanitária, direcionadas diretamente à população e às estruturas de resposta local. Além disso, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil aprovou um plano de trabalho que aloca R$ 974,1 mil para ações de restabelecimento, como limpeza urbana e remoção de resíduos. Tais recursos serão transferidos diretamente ao município.
Investimentos em Saúde
O Ministério da Saúde também contribuiu com R$ 855,3 mil, destinados ao custeio de atividades de vigilância e controle da chikungunya na região. As operações federais começaram em março, sob a coordenação do Ministério da Saúde, que mobilizou a Força Nacional do SUS para fortalecer as equipes assistenciais e intensificar o controle vetorial. A estratégia inclui busca ativa de casos, visitas domiciliares e eliminação de criadouros do mosquito.
A Força Nacional do SUS possui atualmente 40 profissionais atuando no território, com 26 em atividades diretas. Desde o início da operação, já foram realizados 1.288 atendimentos clínicos, 81 remoções e 225 visitas domiciliares. As equipes se dedicam tanto às populações indígenas quanto aos municípios de Dourados e Itaporã, colaborando com a Secretaria de Estado da Saúde de Mato Grosso do Sul na reestruturação dos fluxos assistenciais.
Reforços e Capacitação
Para aumentar ainda mais a capacidade de resposta, o Ministério da Saúde autorizou a contratação emergencial de 50 Agentes de Combate às Endemias (ACEs), dos quais 20 já foram treinados e estarão em campo a partir de hoje, enquanto outros 30 iniciarão a capacitação na próxima segunda-feira.
No que se refere ao controle do vetor, cerca de 95 profissionais, entre ACEs e Agentes Indígenas de Saneamento (AISAN), foram mobilizados. De 9 a 16 de março, 4.319 imóveis foram inspecionados, resultando no tratamento de 2.173, durante o qual foram identificados 1.004 focos do mosquito Aedes aegypti, especialmente em reservatórios de água e pneus.
Apoio às Comunidades Indígenas
A Funai também está contribuindo com ações de apoio direto às comunidades indígenas de Dourados, focando em segurança alimentar e acesso à água potável. Está prevista a distribuição de 6 mil cestas de alimentos em três etapas entre abril e junho, em colaboração com o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e outras entidades. Além disso, o abastecimento de água nas aldeias Jaguapiru e Bororó será ampliado para melhorar as condições sanitárias.
Cenário Epidemiológico Atual
Os últimos dados da vigilância epidemiológica, atualizados em 2 de abril, revelaram 2.812 notificações de chikungunya na região, com 1.198 casos confirmados e 430 descartados. A maior concentração de casos está nas aldeias indígenas, onde 822 casos foram confirmados, representando 68,6% do total.
Até agora, foram registrados cinco óbitos em Dourados, todos entre a população indígena. Para garantir um monitoramento eficaz da situação, o Ministério da Saúde criou uma Sala de Situação em Brasília, onde reuniões permanentes são realizadas para coordenar ações e decisões entre as equipes técnicas.
Coordenação Interministerial
No território indígena, a atuação é integrada entre diversos ministérios, incluindo Saúde, Povos Indígenas, e Defesa, além de contar com 210 Agentes Indígenas de Saúde e 150 Agentes Indígenas de Saneamento. As medidas incluem capacitação de profissionais de saúde, adoção de protocolos clínicos e ações educativas em saúde nas comunidades. Também serão enviadas mensagens de prevenção via WhatsApp para mais de 234 mil moradores, traduzidas para as línguas indígenas.
A resposta do Ministério da Saúde abrange a qualificação da assistência, com a implementação de um protocolo nacional para chikungunya e a capacitação das equipes para identificação precoce de casos graves.

