Cenário Político Indefinido e Desafios para o Governo
A sucessão de Gleisi Hoffmann na Secretaria de Relações Institucionais (SRI) continua sem definição, enquanto a aprovação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta significativa resistência no Senado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em busca de um sucessor que possua uma boa relação com o Congresso, mas os desafios são grandes devido ao período eleitoral. Até que um novo nome seja escolhido, o diplomata Marcelo Costa assumirá a função interinamente, um cargo crucial para a articulação política e a gestão das emendas parlamentares.
Aliados de Lula indicam que a escolha do novo ministro ainda não está definida, especialmente com o fim do prazo de desincompatibilização de autoridades que pretendem concorrer nas eleições deste ano. Gleisi Hoffmann, que buscará uma vaga ao Senado pelo Paraná, precisa deixar o cargo até este sábado. De acordo com membros do governo, a insistência do presidente é de que o próximo ministro tenha trânsito no Congresso, idealmente sendo um parlamentar ou ex-parlamentar.
Um ministro do governo destaca que Lula procura alguém que compreenda as dinâmicas do Congresso e tenha habilidade política para interagir com os parlamentares. A principal preocupação, segundo esse ministro, é que o novo ocupante da SRI tenha a competência necessária para facilitar a aprovação do nome de Jorge Messias para uma vaga no STF.
Desafios com a Aprovação de Jorge Messias
O nome de Messias, atual chefe da Advocacia-Geral da União, não é bem visto por alguns senadores, especialmente pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que preferia a indicação de Rodrigo Pacheco. Desde que Lula anunciou Messias em novembro, a relação entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Senado azedou. Nesta semana, o presidente enviou oficialmente o nome de Messias ao Congresso, mas governistas admitem que ainda não há votos suficientes para garantir sua aprovação na sabatina.
Um assessor próximo a Lula ressalta a importância de que o novo ministro da SRI seja alguém de confiança do presidente e que tenha um bom relacionamento com os parlamentares, uma vez que o cargo exige reuniões frequentes com o chefe do Executivo. Além disso, aponta que a escolha do novo ministro é uma tarefa complexa, já que muitos dos nomes que possuem um bom perfil para a função estão se preparando para concorrer nas eleições.
Possíveis Candidatos e Estratégias do Governo
Inicialmente, Lula havia dado a entender que o nome de Olavo Noleto, secretário do Conselhão, seria aceito, mas voltou atrás, optando por um candidato com mais trânsito no Parlamento. Desde então, foram cogitados nomes como o senador Otto Alencar (PSD-BA), o deputado José Guimarães (PT-CE) e o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias.
Otto Alencar, que preside a Comissão de Constituição e Justiça do Senado, é visto como uma boa opção, mas retirá-lo de um cargo tão estratégico nesse momento de turbulência entre o Senado e o Executivo seria uma decisão arriscada. Já Guimarães, determinado a se candidatar ao Senado, não poderia aceitar a pasta. Wellington Dias afirmou que nunca houve conversa sobre essa possibilidade e se comprometeu a coordenar a campanha de Lula à reeleição.
Além disso, não se descarta a possibilidade de que algum ministro da Esplanada que não concorra nas eleições possa ser realocado para a SRI. O nome de Waldez Góes, atual ministro do Desenvolvimento Regional e próximo de Alcolumbre, é lembrado, mas essa hipótese é considerada remota por interlocutores de Lula.
Pressão para Aceleração de Aprovações no Congresso
Em meio a esse impasse, integrantes do governo afirmam que Marcelo Costa, o número 2 de Gleisi na SRI, deve ocupar o cargo interinamente até que um novo ministro seja nomeado. Aliados do presidente garantem que a escolha não deve demorar, especialmente devido à urgência de avançar com temas relevantes no Congresso antes das eleições, já que a partir de agosto a atividade parlamentar costuma ser reduzida.
O cargo da SRI é de suma importância, pois é responsável pela articulação do Executivo no Congresso Nacional, além de controlar as emendas parlamentares. Quando Lula assumiu seu mandato, Alexandre Padilha ocupava a SRI antes de ser transferido para o Ministério da Saúde em março de 2025.
Naquela época, a cúpula da Câmara e do Senado sugeriu que Lula indicasse um parlamentar do Centrão para melhorar as relações do governo com o Congresso, que estavam repletas de altos e baixos. No entanto, Lula escolheu Gleisi, ignorando esse apelo.
Um ministro, que pediu para não ser identificado, sugeriu a Lula que considerasse um nome fora do PT, como uma forma de demonstrar uma postura de frente ampla e inclusão de diferentes partidos no governo. Contudo, interlocutores afirmam que essa questão não está sendo discutida no momento e que o presidente prioriza a confiança e o relacionamento do novo ministro com o Congresso, independente de suas filiações partidárias.
Além da aprovação de Messias no Senado, o governo também deseja que outras propostas sejam apreciadas, como a PEC da Segurança Pública, a regulamentação do trabalho de entregadores por aplicativo e a revogação da jornada de trabalho 6×1, além de evitar conflitos maiores com o Congresso em um ano eleitoral.

