Iniciativa Promove Segurança Urbana e Direitos das Mulheres
O conceito de cidades seguras para meninas e mulheres está no cerne das oficinas Cidade Mulher, realizadas entre os dias 17 e 19 de março em Maceió, Alagoas. Com foco na segurança urbana e na violência de gênero, essas oficinas envolveram estudantes da rede pública em três escolas estaduais localizadas em áreas de alta vulnerabilidade social. O principal objetivo foi ouvir e entender as experiências e percepções dos jovens sobre segurança em seus territórios.
A ação faz parte do projeto Visão Alagoas 2030, uma parceria entre o Governo de Alagoas e o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat). Esta iniciativa visa reforçar a Política Estadual de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, conhecida como Alagoas Lilás, que se concentra na prevenção e combate à violência, especialmente no âmbito familiar e doméstico.
Ao relacionar a discussão sobre violência de gênero à dimensão urbana, o projeto destaca como fatores territoriais afetam o acesso aos direitos e a mobilidade das mulheres. As atividades conduzidas pelo ONU-Habitat buscam incorporar essa perspectiva nas políticas públicas, analisando como aspectos como infraestrutura e uso do espaço urbano impactam a segurança das mulheres.
Emilly Teixeira, estudante da Escola Estadual Marcos Antônio Cavalcanti, relatou que durante os debates ficou claro que muitas mulheres enfrentam dificuldades diárias relacionadas à segurança. “Muitas vezes, evitamos certos lugares em horários específicos e alteramos rotas por medo”, comentou. Ela enfatizou a importância de discutir essas questões em conjunto para que a sociedade evolua na abordagem do tema.
Metodologia Cidade Mulher
A metodologia Cidade Mulher, adaptada das Auditorias de Segurança das Mulheres do ONU-Habitat, é focada em coletar dados qualitativos sobre a percepção de segurança sob a perspectiva de gênero. Este método já foi utilizado em outras regiões do Brasil, como Pernambuco e São Gonçalo, e a adaptação em Alagoas visa compreender como diferentes grupos experienciam seus territórios, considerando as dinâmicas urbanas e contextos socioeconômicos diversos.
Nas oficinas, as jovens mulheres tiveram a oportunidade de compartilhar suas vivências sobre deslocamentos, rotinas e experiências na cidade, permitindo a identificação de padrões e desafios que influenciam suas vidas cotidianas. “A ideia é usar esses relatos para construir respostas públicas que realmente atendam às realidades enfrentadas por elas”, afirmou Paula Zacarias, coordenadora do Visão Alagoas 2030.
Leitura Crítica do Território
Adotando uma abordagem de segurança cidadã, as oficinas convidaram os estudantes a refletir sobre como fatores urbanos, sociais e ambientais se relacionam com suas experiências. As atividades foram divididas em etapas, que incluíram discussões em grupos e a análise do espaço ao redor das escolas, apoiadas por ferramentas como mapas e cartografia coletiva.
Foi essencial incluir os homens nas discussões iniciais, segundo Duan Gabriel, estudante da Escola Estadual Professora Guiomar de Almeida Peixoto. Ele ressaltou que, ao compreender as realidades das mulheres, todos podem colaborar para tornar a cidade mais segura para todos os gêneros.
As etapas seguintes foram realizadas apenas com as jovens. Elas realizaram caminhadas exploratórias, observando as condições do entorno e discutindo questões como iluminação, segurança e uso do espaço pela comunidade. Ao final, elas elaboraram propostas para melhorar a segurança em seus bairros, demonstrando seu papel como agentes de mudança em suas comunidades.
Impacto nas Políticas Públicas
As oficinas Cidade Mulher oferecem uma nova perspectiva ao abordar a violência contra a mulher, conectando gênero, território e segurança urbana. Fatores como ruas mal iluminadas e áreas isoladas influenciam diretamente a maneira como as mulheres utilizam a cidade. Essa iniciativa destaca a necessidade de incorporar as experiências das jovens em políticas públicas, criando soluções mais eficazes e sensíveis às desigualdades de gênero.
Marília Albuquerque, secretária de Estado da Mulher, enfatizou que ouvir as experiências reais das mulheres é fundamental para fortalecer o enfrentamento à violência. As oficinas contribuem para a formulação de políticas mais informadas, alinhadas às vivências locais.
Além disso, as oficinas promovem um planejamento urbano que considera o gênero, integrando as experiências das moradoras na análise e construção de propostas para os espaços urbanos. Andreia Estevam, secretária Especial de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, destacou que essas experiências são vitais para a criação de soluções que atendam às necessidades da população.
Realizadas com o apoio do Visão Alagoas 2030, as oficinas tiveram a colaboração de diversas secretarias do Estado, incluindo Educação e Transporte, fortalecendo a implementação da política Alagoas Lilás. Através da escuta ativa das jovens, o projeto almeja aprimorar a integração entre planejamento urbano e políticas de gênero, contribuindo para que ninguém e nenhum lugar seja deixado para trás.

