Desconsideração de Relatório e Conluio em Brasília
Na última sexta-feira, um grupo de 19 senadores e deputados federais, parte da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) encarregada de investigar a corrupção que desviou bilhões destinados a inativos e pensionistas da Previdência, decidiu ignorar um relatório que apontava indícios de irregularidades envolvendo empresários e figuras de destaque nos Poderes da República. Este documento, elaborado pelo deputado federal alagoano Alfredo Gaspar (PL), continha impressionantes 4.400 páginas, mas encontrou um destino infeliz: o lixo.
A CPMI, majoritariamente composta por parlamentares aliados ao governo Lula (PT), celebrou efusivamente a decisão que parece favorecer diretamente empresários e representantes do Executivo, Legislativo e Judiciário. Entre os beneficiados, destaca-se o filho do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal. Ele, considerado um prodígio da advocacia, recebeu a inacreditável quantia de R$ 18 milhões em consultorias — um termo que, na prática, remete a lobby — para serviços prestados ao Banco Master e à JBS, empresas com práticas frequentemente contestáveis.
O ditado popular “uma mão lava a outra” se encaixa bem neste cenário, uma vez que Nunes Marques, que é relator de uma ação que busca a instalação da CPI do Banco Master, agora possui a oportunidade de retribuir aos senadores que livraram seu filho de um eventual indiciamento na CPMI do INSS. A movimentação em Brasília sugere que o ministro não está disposto a autorizar a CPI do Master, proposta pela oposição, que promete ser muito mais abrangente em termos de montantes e personagens envolvidos nos desmandos que geraram tamanha indignação.
É realmente triste constatar que em nosso país, empresários e agentes públicos parecem ter formado conluios para dilapidar o patrimônio público, enquanto se apropriam de recursos que pertencem aos cidadãos. E, como se não bastasse, essa “patota” ainda exige que nós, contribuintes, os chamemos de “autoridades” ou “excelências”, perpetuando uma teia de privilégios e impunidade.

