Iniciativa Sustentável para o Futuro do Sururu
O sururu, um molusco que é considerado um símbolo cultural de Alagoas, desempenha um papel crucial na economia de diversas famílias de pescadores em Maceió e nas cidades ao redor do complexo lagunar Mundaú-Manguaba. Contudo, a população desse molusco tem enfrentado um desaparecimento alarmante, impulsionado por questões ambientais e práticas de pesca predatórias. Para reverter essa situação, o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS) está implementando um projeto inovador de cultivo sustentável do sururu nas lagoas.
A nova abordagem busca gerar oportunidades de trabalho e renda para marisqueiras e pescadores do bairro Vergel do Lago, em Maceió. O IABS informou que o projeto, atualmente em fase de contratação e formação de equipe, deve começar suas atividades até abril. Estudos preliminares revelaram que a pesca do sururu é atualmente intensa e sem regulamentação, o que causa um impacto negativo no ecossistema local e coloca em risco a saúde dos trabalhadores, colocando assim em vulnerabilidade a economia da comunidade.
“Com essa iniciativa, buscamos estruturar e fortalecer sistemas de cultivo e comercialização do sururu, além de promover a equidade de gênero na cadeia produtiva”, ressaltou um representante do IABS.
Projeto Cultivo de Sururu: Inclusão e Sustentabilidade
Nomeado de Cultivo de Sururu, o projeto visa criar uma alternativa de pesca que beneficie diretamente 25 famílias, promovendo autonomia financeira e maior equidade de gênero. Atualmente, a coleta do sururu é realizada através de mergulhos profundos, sem o uso de equipamentos adequados. A técnica proposta pelo IABS elimina a necessidade de apneia, facilitando a inclusão das marisqueiras no processo produtivo. Elas são responsáveis por separar a carne do molusco, fervê-la, peneirá-la e embalá-la para venda.
O IABS enfatizou que a proposta não se limita apenas à preservação do sururu, mas também busca um desenvolvimento socioeconômico mais equitativo, unindo produção eficiente e sustentabilidade. O projeto prevê a instalação de até 100 módulos de cultivo nas lagoas, com uma expectativa de produção de 90 quilos de sururu por mês. Isso significa um reaproveitamento potencial de 10 toneladas de conchas, além de dedicar 4 mil metros quadrados para o cultivo sustentável.
Além da implementação estrutural, o IABS compromete-se a realizar monitoramento técnico, capacitações e aprimoramento das técnicas de cultivo, garantindo que o projeto beneficie a comunidade a longo prazo.
Moeda Social: Fortalecendo a Economia Local
Desde 2021, o Instituto Mandaver tem colaborado com o IABS para a criação da moeda social chamada Sururote, que tem sido utilizada pelas marisqueiras de Vergel do Lago. Esta moeda, gerenciada pelo Banco Laguna, facilita a circulação de recursos dentro da comunidade. Cada Sururote vale R$ 1, contribuindo assim para o fortalecimento da economia local.
Com a parceria do IABS, 21 marisqueiras estão vendendo as conchas do sururu para a IABS Empresa Social, recebendo pagamento em Sururotes, que podem ser gastos em diversos estabelecimentos da região. Esse grupo tem desempenhado um papel importante na manutenção da unidade fabril do projeto Sururu: Conchas que Transformam. Em colaboração com a empresa de revestimentos cerâmicos Portobello, mais de 500 toneladas de conchas foram retiradas das ruas e reaproveitadas, resultando em uma renda superior a R$ 800 mil para a comunidade.
As conchas que antes se acumulavam pelas ruas, criando problemas de saúde pública, agora têm um destino sustentável e geram renda para essas famílias. Desde 2020, a Portobello se uniu à iniciativa, buscando alternativas de renda para a comunidade e minimizando os impactos ambientais. As conchas transformadas em produtos inovadores, como revestimentos, têm trazido benefícios reais para a população local. Até agora, foram lançadas três linhas de revestimentos criados a partir da casca do sururu: Cobogó Mundaú, Solar e Fita.

