A Saída de JHC e a Corrida ao Senado
A recente escolha de JHC de deixar o Partido Liberal (PL), vinculado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, não necessariamente indica uma aliança com Arthur Lira, também conhecido como “Rei Arthur”, que já confirmou seus planos de concorrer ao Senado em 2026. No atual cenário político alagoano, a movimentação de Lira soa como um alerta para as forças que cercam os Renan Calheiros — principalmente o patriarca Renan pai.
Com o apoio de mais de oitenta prefeitos durante o lançamento de sua pré-candidatura, Lira, que é mais lembrado pelo seu sobrenome do que por qualquer alusão a instrumentos musicais, acendeu um sinal amarelo na batalha pela liderança. Ele conseguiu atrair muitos prefeitos do MDB, enquanto os Calheiros não conseguiram conquistar apoio do PP, o que pode ser um indicativo das tendências eleitorais.
Desafios na Composição da Chapa Majoritária
A formação da chapa completa — que inclui os candidatos a governador, vice-governador e deputados federais e estaduais — ainda exige muito esforço por parte do deputado. Há rumores sobre a candidatura de Davi Davino Filho ao governo, além de Alfredo Gaspar de Mendonça como uma opção para o Senado. A empreitada, no entanto, é repleta de riscos e incertezas.
Enquanto isso, JHC continua seu processo de transição partidária e ainda não definiu qual cargo irá disputar nas próximas eleições. Nesse contexto, pode ser útil lembrar que a famosa frase “tudo está em seu lugar, graças a Deus” — imortalizada na canção de Benito di Paula — não reflete a realidade caótica da política alagoana no momento.
A Possibilidade de União e suas Consequências
Se JHC e Lira formarem uma união, a chapa pode se tornar uma força considerável nas eleições majoritárias. No entanto, essa colaboração ainda apresentaria fraquezas nas corridas proporcionais, tanto a nível federal quanto estadual. Por outro lado, se essa aliança não acontecer, ambos os políticos podem se deparar com um verdadeiro “corredor polonês”, onde poucos conseguirão sair ilesos e os que avançarem provavelmente estarão marcados pelo desgaste político.
Portanto, embora a saída de JHC do PL possa sugerir uma trajetória isolada, é essencial que o “barba branca” compreenda que confrontar os Calheiros representa um desafio mais profundo e complexo do que pode parecer à primeira vista. O cenário político em Alagoas está em constante transformação, e as decisões tomadas agora terão reflexos significativos nas eleições de 2026.

