Crise Política no PL de Alagoas
A direção nacional do PL divulgou de forma abrupta a destituição do prefeito de Maceió, JHC, da presidência do partido em Alagoas. Essa manobra é vista como uma grande perda de liderança política no estado, especialmente em um momento onde JHC é considerado a figura mais capaz de enfrentar o clã Calheiros nas próximas eleições para o governo estadual.
Fontes ligadas a JHC afirmam que essa decisão foi respaldada pelo deputado Arthur Lira, ex-presidente da Câmara, que não reconheceu o direito do prefeito de definir a chapa majoritária para o pleito de outubro, que inclui as eleições para governador, vice e duas vagas no Senado. Vale ressaltar que Lira não é filiado ao PL, mas sim ao PP.
O desejo de JHC de indicar um nome para o Senado na sua chapa se chocou com a estratégia do PL de apoiar a candidatura de Lira ao Senado. Este acordo também inclui o deputado federal Alfredo Gaspar (União), que tem se destacado como relator da CPMI do INSS. O prefeito, por sua vez, havia escolhido sua esposa, Marina Candia, para concorrer à segunda vaga no Senado.
No início da semana, a legenda do PL havia garantido a JHC um palanque para sua candidatura ao governo estadual, que seria o melhor suporte para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) em Alagoas. Contudo, o partido não concedeu a JHC a autonomia necessária para montar sua chapa majoritária com os nomes que considera adequados, incluindo o de Lira, com quem estabeleceu uma parceria que trouxe vantagens políticas a ambos em Maceió.
Na última semana, JHC esteve em Brasília, tentando dialogar com a cúpula nacional do PL, mas sem sucesso. Surpreendentemente, não conseguiu nem mesmo o reconhecimento por ter liderado a única vitória de Jair Bolsonaro contra Lula (PT) em uma capital nordestina durante a eleição de 2022.
Essa destituição não apenas afeta a liderança de JHC, mas também implica na perda da senadora Eudócia Caldas, mãe do prefeito, um fator que o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, pareceu ignorar. A crise, considerada desnecessária por opositores locais, resulta na perda de uma das principais lideranças políticas que emergiram na última década em Alagoas, cuja gestão é aprovada por mais de 85% da população.
A nova presidência do PL em Alagoas deve ficar a cargo do deputado estadual Cabo Bebeto, atual aliado de JHC e Lira, embora com uma influência política inferior no Estado. Este episódio ilustra, ainda, o poder que Lira exerce sobre o PL em Alagoas, apesar de sua filiação ao PP.

