Avanço Significativo na Biodiversidade Alagoana
A biodiversidade alagoana ganha um novo capítulo na ciência com o registro de dez novas espécies de esponjas marinhas, fruto da pesquisa de doutorado do biólogo André Felipe Bispo da Silva, egresso da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). O estudo destaca que cinco dessas espécies foram identificadas em duas praias do litoral alagoano, sendo quatro localizadas na renomada Praia do Francês, que integra a Área de Proteção Ambiental (APA) de Santa Rita, em Marechal Deodoro, e uma na zona portuária de Maceió.
Em suas palavras, o pesquisador enfatiza a importância da descoberta não apenas para a ciência, mas também para a conservação ambiental: “As esponjas identificadas podem ser fundamentais em políticas de conservação e estudos aplicados, como os de biotecnologia”. Segundo ele, esse registro demonstra a grandiosidade da biodiversidade que ainda resiste, mesmo em ambientes degradados.
Contribuição Acadêmica e Colaboração Interinstitucional
A pesquisa de André Felipe foi parte de sua tese de doutorado intitulada “Sistemática Integrativa de Chalinidae, Callyspongiidae e Niphatidae do Brasil”, realizada no Museu Nacional da UFRJ. O estudo científico foi desenvolvido em colaboração entre a Ufal e a UFRJ, sob a orientação do professor Eduardo Hadju e a coorientação da professora Tami Mott, ambas instituições envolvidas no Laboratório de Ciências do Mar (Labmar) e no Laboratório de Biologia Integrativa da Ufal.
André explica que a sistemática integrativa é uma abordagem que combina diferentes fontes de informação para descrever a biodiversidade de grupos variados de organismos. “No meu caso, utilizei dados morfológicos, genéticos e ecológicos. O trabalho de biologia molecular foi coorientado pela professora e doutora Tami Mott no ICBS da Ufal”, detalha.
Espécies Descobertas e Seus Contextos
As novas espécies de esponjas marinhas e suas localizações são: Haliclona abscondita (Fernando de Noronha, Rio Grande do Norte e Alagoas), Haliclona djavani (Alagoas), Haliclona fluminense (Rio de Janeiro), Haliclona helenae (Alagoas), Haliclona ivanae (Alagoas e Rio de Janeiro), Haliclona wallieae (Rio de Janeiro), Haliclona mucitoxifera (Ceará), Haliclona cyanocrypta (Ceará), Haliclona ladislaui (Alagoas, Ceará e Espírito Santo) e Haliclona venosa (São Paulo e Santa Catarina).
“Realizamos coletas em diversos locais do Brasil, incluindo Alagoas, Ceará, Rio Grande do Norte e Fernando de Noronha, além de trabalharmos com materiais da coleção do Museu Nacional. O resultado desse longo processo culminou em um artigo publicado na renomada Zoological Journal of the Linnean Society, um dos periódicos mais respeitados na área de Zoologia”, disse André, celebrando a visibilidade que a pesquisa alcançou.
A Importância das Esponjas Marinhas
O biólogo revela que seus estudos sobre esponjas marinhas começaram durante sua graduação na Ufal, com apoio da professora Monica Dorigo. No mestrado, aprofundou-se na biodiversidade do gênero Haliclona sob a orientação de Eduardo Hajdu. “Buscamos trazer algo inovador para a pesquisa, como a inclusão de dados genéticos, o que foi fundamental para este trabalho integrativo”, comenta.
Com cerca de 9,8 mil espécies de esponjas marinhas conhecidas no mundo, aproximadamente 600 delas estão no Brasil. Essas criaturas são frequentemente confundidas com rochas e corais. As esponjas, como explica André, são animais filtradores que desempenham um papel crucial no ecossistema marinho, filtrando a água e fornecendo biomassa para outros organismos.
Homenagens e Reconhecimento
As novas espécies Haliclona djavani e Haliclona ladislaui foram nomeadas em homenagem a dois alagoanos: o naturalista Ladislau Netto e o cantor Djavan. André comenta que esta foi uma forma de reconhecer suas raízes e pessoas que influenciaram sua trajetória acadêmica. “Ladislau Netto foi um grande naturalista e trouxe o Museu Nacional para o Paço de São Cristóvão. Djavan, por sua vez, é uma grande inspiração em minha vida”, declara.
Além disso, André homenageou sua esposa, nomeando uma espécie como Haliclona ivanae, e sua filha, com Haliclona helenae, ressaltando a importância do apoio familiar durante seu doutorado. “Minha filha nasceu durante a finalização da tese, e essa dedicatória é um reconhecimento ao suporte que recebi em toda essa jornada pela ciência”, conclui.

