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    Início»Cultura»Mestres do Patrimônio Vivo: O Artesanato como Herança Cultural de Alagoas
    Cultura

    Mestres do Patrimônio Vivo: O Artesanato como Herança Cultural de Alagoas

    19 de março de 2026
    Mestres do Patrimônio Vivo: O Artesanato como Herança Cultural de Alagoas
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    O Artesanato como Legado Cultural

    Na beleza do toque da madeira, na delicadeza do barro moldado e nos fios que se entrelaçam, residem narrativas que transcendem o tempo. Em um mundo que parece cada vez mais apressado, as mãos dos mestres do Patrimônio Vivo de Alagoas preservam tradições que se perpetuam através das gerações. Destes, 13 representam o universo do artesanato, atuando como verdadeiros guardiões de técnicas e formas de expressão que vão além de meras palavras.

    Cada criação desses mestres é um testemunho de história, território e identidade. Em Boca da Mata, André da Marinheira transforma madeira em esculturas que conquistam admiradores por todo o país. Enquanto isso, em Penedo, Claudeonor Higino se mantém fiel à tradição da escultura sacra, sendo um herdeiro de um legado artístico que perdura por séculos. Já Dona Irinéia, no Muquém, em União dos Palmares, transforma o barro em uma extensão da vida quilombola, produzindo peças que carregam tanto memória quanto resistência.

    Do outro lado, no Pontal da Barra em Maceió, Dona Nete se destaca ao bordar o filé, como se estivesse escrevendo histórias em linhas coloridas. Em São Sebastião, Maria de Clarice continua a ensinar a arte da renda de bilro, equilibrando tradição e as demandas da nova geração. Marechal Deodoro também abriga Dona Moça, que mantém viva a tradição da renda labirinto, enquanto Dona Lourdes, em Piaçabuçu, transforma retalhos em bonecas que viajam por todo o Brasil.

    O barro ganha formas únicas sob as mãos de João das Alagoas, em Capela, onde tradição e criatividade caminham juntas. Em Rio Largo, o artista Pedrocas esculpe troncos, convertendo madeira em poesia e dando vida a histórias que emergem da matéria-prima.

    Uma Trajetória de Inovação e Compartilhamento

    Marta Arruda, com seu trabalho em aço e sucata, construiu uma trajetória notável, rompendo barreiras e abrindo novos caminhos. Na Barra de Santo Antônio, Sônia Maria de Lucena encontrou no bordado da renda singeleza um novo começo, utilizando o ofício como fonte de renda e solidariedade. Em Maceió, Vânia Oliveira combina tradição com inovação, criando peças que dialogam com questões ambientais, cultura popular e educação.

    No sertão de Piranhas, Rubério de Oliveira Fontes continua a esculpir memórias do Velho Chico em madeira. Suas miniaturas de embarcações são testemunhos de um tempo que ele se recusa a deixar se apagar.

    “Agradeço a Deus pelo dom que Ele me deu. Estou sempre fazendo meu trabalho na madeira e desejo muito transmitir o que aprendi”, expressa Rubério, que dedicou sua vida à arte.

    A transmissão do conhecimento é um elemento comum entre os mestres. Sônia, por exemplo, transformou o que aprendeu na infância em uma oportunidade para outras mulheres. “O bordado entrou na minha vida em um momento desafiador, mas agora é também uma maneira de ajudar outras a aprender e prosperar”, afirma.

    Para Vânia Oliveira, o artesanato é mais do que um ofício; é um caminho de vida e luta coletiva. “Nunca pensei que me tornaria artesã. Comecei fazendo lembranças para minha filha, e isso cresceu. Hoje percebo que o artesanato é o que construí ao longo da vida. Não podemos esperar reconhecimento; devemos agir. Essa é a mensagem que deixo para as novas gerações: façam, aprendam e avancem”, ressalta.

    A perspectiva de Vânia também defende que o fazer artesanal é um ato político e social. “Quem cria cultura compreende o valor do que produz. É a nossa profissão, um trabalho que merece reconhecimento”, completa.

    Reconhecimento e Diálogo Cultural em Alagoas

    Mellina Freitas, secretária de Estado da Cultura e Economia Criativa de Alagoas, enfatiza que, mesmo que o artesanato não seja uma atribuição direta da secretaria, a conexão com essa expressão cultural é constante. “A cultura em Alagoas se constrói a partir de encontros. Embora o artesanato não esteja atrelado diretamente à secretaria, ele está presente em nosso trabalho de forma transversal, através de ações com os mestres do Patrimônio Vivo, editais, atividades e parcerias com outras secretarias e programas como Alagoas Feita à mão. Esses saberes caminham junto com nossa política cultural”, afirma Mellina.

    artesanato Alagoas cultura popular Mestres do Patrimônio Vivo tradição e inovação
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