Uma Nova Perspectiva para o Ensino com o Cinema
Na Escola Estadual Romeu de Avelar, localizada na parte alta de Maceió, o cinema se tornou parte fundamental da rotina educacional. O projeto Cineclube Conexões Pedagógicas integra o audiovisual ao cotidiano escolar, transformando o cinema em uma ferramenta poderosa para aprendizado e reflexão entre os alunos do ensino médio. A iniciativa busca algo simples, mas de grande impacto: utilizar o cinema para enriquecer a experiência educativa, conectando narrativas cinematográficas com temas trabalhados em sala de aula.
O cineclube foi idealizado pela atriz e servidora da Secretaria de Estado da Educação de Alagoas, Ane Oliva, que atua como secretária escolar e é uma das principais responsáveis pela proposta. Em parceria com o Instituto Eu Mundaú, Ane traz para a escola a convicção de que cultura e educação caminham lado a lado. “Cultura e educação são complementares e, quando unidas, têm o poder de reinventar o ambiente escolar e expandir a visão dos estudantes sobre o mundo”, afirma.
Segundo Ane, o objetivo do cineclube é estabelecer conexões entre os conteúdos pedagógicos e produções audiovisuais pertinentes aos temas discutidos em sala. Após as exibições, os alunos são convidados a participar de debates e reflexões que aprofundam seu entendimento sobre os assuntos tratados. Dessa forma, o cinema se desloca do mero entretenimento para se firmar como uma ferramenta de análise, discussão e construção de conhecimento.
Cinema nas Mãos dos Estudantes
A iniciativa também deu origem a uma série de atividades artísticas dentro da escola. Oficinas culturais, encontros com artistas e projetos formativos passaram a fazer parte do cotidiano do cineclube, ampliando as oportunidades de aprendizado para além das disciplinas convencionais.
Recentemente, o projeto firmou uma parceria com o Filme das Piabas, que trouxe a oficina Cinema com Celular. Esta atividade ensinou os alunos a produzir vídeos utilizando apenas os celulares, equipamentos que já estão inseridos em suas rotinas. Durante algumas semanas, os estudantes participaram de encontros que abordaram as noções básicas da linguagem audiovisual, como enquadramento, composição de cena, teoria das cores e criação de roteiros. O que se destaca é a mensagem de que, para criar imagens, não é necessário depender de equipamentos profissionais.
A instrutora Amanda Duarte, com mais de dez anos de experiência no audiovisual, ressalta a importância desse tipo de formação cultural para os jovens. “Muitos profissionais do audiovisual de Alagoas começaram com oficinas e cursos livres. Eu mesma entrei nesse meio através de uma oficina criativa. Por isso, valorizo tanto esses espaços de aprendizado”, comenta Amanda.
Segundo ela, o acesso a atividades como essas em escolas públicas é de grande relevância. “Ver uma escola na parte alta da cidade com uma estrutura voltada para o cinema é um grande avanço e um incentivo para a comunidade escolar”, destaca.
Juventude em Foco
A oficina, coordenada junto ao produtor audiovisual Lucas Villar, integrante do projeto Filme das Piabas, teve como foco a linguagem cinematográfica e a maneira como os alunos poderiam transformar ideias em roteiros. Os estudantes foram divididos em grupos e desafiados a produzir vídeos com o tema juventude, permitindo que cada equipe explorasse suas próprias perspectivas sobre o assunto.
Lucas observa que a diversidade de visões trazidas pelos alunos enriquece o processo criativo. “Cada grupo expressou uma visão única sobre o mesmo tema, o que possibilitou que eles contassem suas histórias de maneira autêntica”, explica. Ele acredita que trabalhar com os jovens também representa uma renovação para o cinema local: “É gratificante ver novos rostos interessados na arte. Aprendemos com eles, pois suas novas ideias e vivências são extremamente valiosas”, declara.
O Impacto nos Alunos
A experiência da oficina despertou a curiosidade e o entusiasmo entre os estudantes, muitos dos quais tiveram seu primeiro contato com conceitos cinematográficos. Wesley Costa, um dos alunos, contou que sempre teve interesse em desenhar e produzir conteúdos visuais. Com as aulas, ele começou a entender melhor elementos que antes pareciam apenas intuitivos, como a teoria das cores e o enquadramento. “Participar foi muito interessante, uma nova forma de aprendizado”, compartilha.
Emilly Victoria de Lima também ressaltou a relevância da oficina. Para ela, a oportunidade de aprender a usar o celular para criar algo artístico foi inédita. “Sempre gostei de gravar vídeos, mas nunca havia participado de uma atividade como esta”, revela.
Protagonismo em Ação
Outro aluno destacado no projeto é Lenildo Souza, que atua como monitor e ajuda a organizar as atividades. Ele acredita que iniciativas como o cineclube são fundamentais para fortalecer a presença da arte na comunidade escolar. “É excelente trazer cultura artística para dentro da escola. Isso faz a diferença”, enfatiza.
Na oficina, Lenildo se envolveu especialmente na criação de roteiros e na organização das ideias dos colegas. Ele também reconhece que o conhecimento em tecnologias de produção de conteúdo pode abrir oportunidades futuras. “Aprender sobre essa área sempre será um agregado na nossa vida”, conclui.
Educação e Arte: Uma Dupla Poderosa
Enquanto os alunos discutem roteiros, testam enquadramentos e gravam cenas, o cineclube cumpre seu papel de ampliar as possibilidades educativas através da arte. A gestora da escola, Sílvia Bueno, acredita que projetos culturais são essenciais para manter os estudantes engajados. “A arte tem o poder de mudar a educação”, resume.
Ela destaca o crescente envolvimento dos alunos em iniciativas criativas e como o cineclube se tornou um dos projetos mais relevantes nesse processo. No encerramento da oficina, a escola recebeu um kit com estabilizador de celular e luz portátil para futuras produções. Nos próximos dias, a oficina será levada à Escola Estadual Eunice Lemos Campos, localizada no Benedito Bentes.

