Um Encontro pela Cultura e Sustentabilidade
Entre os dias 19 e 24 de maio, a encantadora cidade de Aracruz, localizada no litoral norte do Espírito Santo, será o cenário da sexta edição da Teia Nacional dos Pontos de Cultura. Este evento, promovido pelo Ministério da Cultura do Brasil (MinC), é um dos maiores do país voltados à valorização da cultura de base comunitária. A Teia Nacional serve como um espaço fundamental para a troca de experiências, fortalecimento da Política Nacional Cultura Viva e promoção da produção cultural em todas as regiões do Brasil.
Após um hiato de doze anos, a Teia retorna em 2026 com o tema “Pontos de Cultura pela Justiça Climática”. Este retorno é particularmente significativo em um contexto onde o desafio de manter e ampliar os investimentos públicos em cultura se entrelaça com a crescente urgência das questões climáticas. As políticas de fomento, como as leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo, desempenham um papel essencial nesse cenário, que é acompanhado por uma luta crescente por justiça social e ambiental.
“Neste momento crítico, as lutas indígenas emergem como possíveis caminhos para um futuro sustentável, promovendo a mobilização comunitária e o reconhecimento das culturas originárias”, declara Naira Kamekran, representante do Tekó – Coletivo de Artivismo Indígena da Região Metropolitana de Belém, que estará presente no evento.
O Papel dos Coletivos Indígenas no Evento
A participação de coletivos e entidades indígenas é uma das grandes atrações desta edição da Teia Nacional. O Tekó, além de ter Naira Kamekran como uma das delegadas do Pará, traz para a programação o filme-manifesto “Quem Quer?”, uma produção que se destaca ao lado de outras obras importantes do audiovisual amazônico, como o documentário “Como Matar um Rio”, de Roraima.
“Quem Quer?” foi premiado com o Prêmio de Impacto Social no Cinema Brasileiro durante a quinta edição do All That Moves International Film Festival. O filme, realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, é um curta-metragem dirigido por Célia Maracajá e roteirizado por Porakê Munduruku. A obra traz uma reflexão profunda sobre o apagamento da identidade étnico-racial das populações indígenas que vivem fora dos seus territórios demarcados. Além disso, aborda a inclusão de indígenas não aldeados nas políticas de cotas e a necessidade de revisão do estatuto da igualdade racial, sob a perspectiva do movimento indígena no contexto urbano.
Essas questões se tornam ainda mais relevantes quando consideramos os dados do Censo do IBGE 2022, que indicou que 63,27% da população indígena brasileira reside fora das terras indígenas. Ademais, 25,49% dos indígenas não puderam ou não quiseram declarar sua etnia específica durante o levantamento.
Sinopse e Contexto do Filme
A narrativa de “Quem Quer?” acompanha Dandara (interpretada por Jéssica Lorena), uma jovem indígena que, devido ao seu crescimento em um ambiente urbano, enfrenta um dilema entre afirmar sua ancestralidade e a luta por uma vaga em uma universidade pública.
Sobre a Diretora e a Produção
Célia Maracajá, a diretora do filme, é uma renomada cineasta, atriz e produtora que iniciou sua carreira na década de 1970. Ela é uma das pioneiras na produção teatral e audiovisual indígena no Brasil, sempre conectada às lutas sociais e à cultura amazônica. A trajetória de Maracajá é marcada pelo fortalecimento do cinema e do teatro na região, sempre buscando valorizar as histórias e realidades das comunidades indígenas.
“Quem Quer?” tem uma duração de 13 minutos e integra a programação oficial do evento. Sua ficha técnica conta com a direção de Célia Maracajá, roteirização de Porakê Munduruku, direção de fotografia de Bruno Cecim, produção de Hudson Passos e edição de Klebson Carneiro (Mago). O elenco principal inclui Jéssica Lorena, Márcia Kambeba, Lo Ojuara, João Colares, Hudson Passos e Tertuliana Lopes.
Para mais detalhes sobre o filme e informações sobre onde assisti-lo, siga a página oficial do projeto no Instagram.

