Justiça Alagoana Faz História com Sétima Condenação
Albino dos Santos Lima, considerado um dos maiores serial killers do Brasil, recebeu na última quinta-feira (5) sua sétima condenação, totalizando mais de 174 anos de reclusão. A mais recente sentença, que soma 22 anos, 5 meses e 15 dias, refere-se ao assassinato de Genilda Maria da Conceição, uma idosa de 71 anos, ocorrido em 2019, em Maceió. O julgamento ocorreu no Tribunal do Júri da 7ª Vara Criminal, presidido pelo juiz Yulli Roter.
Genilda foi cruelmente assassinada a tiros na manhã de 6 de fevereiro de 2019, no Beco de Zé Miguel, no bairro Chã da Jaqueira, enquanto caminhava com seu neto, que apenas 11 anos na época. Os disparos atingiram suas costas e não deixaram qualquer chance de defesa.
Motivação Perigosa e Inusitada
Durante o processo, Albino alegou que associava a vítima a atividades ligadas ao tráfico de drogas. Segundo ele, a região onde Genilda morava era frequentada por usuários de drogas, e a idosa teria “falado demais” sobre o que acontecia nas proximidades. Por essa razão, o réu se autodenominou um “justiceiro”.
A defesa de Albino argumentou que ele não era capaz de entender a ilicitude de seus atos, alegando inimputabilidade e coação na confissão prestada anteriormente. No entanto, o Ministério Público apresentou um vídeo do depoimento do réu na delegacia, no qual ele estava acompanhado de um advogado em uma sala bem iluminada, contradizendo a defesa.
Provas que Aumentam a Gravidade do Caso
O promotor de Justiça Antônio Vilas Boas ressaltou durante o julgamento a descoberta de arquivos no celular de Albino que continham o nome de Genilda, a data do crime e registros de outras execuções. Esses arquivos incluíam pastas com títulos alarmantes como “odiadas do Instagram” e “mortes especiais”.
Além disso, o réu residia na mesma área que a vítima e, segundo o Ministério Público de Alagoas (MP-AL), ele a observou antes de emboscá-la no caminho diário que fazia com seu neto. O crime gerou uma repercussão significativa em Maceió e levantou questões sobre segurança pública na região.
Histórico de Condenações de Albino
A condenação de Genilda se soma a um histórico sombrio de Albino, que inclui diversas outras sentenças por assassinatos que chocaram a sociedade alagoana. Suas condenações anteriores incluem:
- Novembro: 24 anos, 11 meses e 8 dias pelo assassinato de Beatriz Henrique da Silva, na frente de seu filho.
- Outubro: 27 anos, 1 mês e 10 dias pela morte de Tâmara Vanessa da Silva e por disparos contra José Gustavo Carvalho e Leidjane Gomes de Freitas.
- Setembro: 14 anos e 7 meses por tentativa de homicídio contra Alan Vítor dos Santos Soares.
- Julho: 24 anos e 6 meses pela morte da adolescente Ana Clara Lima Santos.
- Junho: 24 anos e 6 meses pela morte da mulher trans Louise Gybson Vieira de Melo.
- Abril: 37 anos pela morte do barbeiro Emerson Wagner da Silva e tentativa de homicídio contra outro rapaz.
Reflexão do Ministério Público
Após o julgamento, o promotor Antônio Vilas Boas não escondeu a satisfação com a sentença imposta: “A primeira temporada de julgamentos dele encerra hoje, parece uma Netflix de filme de terror. O Ministério Público sai satisfeito com o resultado do seu trabalho. Obtivemos uma pena que ultrapassou os 22 anos, mais uma vez a sociedade alagoana fez justiça e acredito que ele mesmo tenha consciência disso.”
Albino dos Santos Lima não é apenas um dos maiores assassinos em série de Alagoas, mas segundo o Ministério Público, também figura entre os mais perigosos do país. A meticulosidade com que planejou e executou seus crimes, mantendo um padrão em suas ações, acende um alerta sobre a necessidade de um sistema de segurança mais eficaz na região.

