Orientações para o Futuro da Indústria Alagoana
No último dia 2 de outubro, a Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA) lançou o Mapa Estratégico da Indústria de Alagoas 2025–2032 durante a 5ª edição do Gazeta Summit, que ocorreu no Centro de Inovação Tecnológica, em Jaraguá. O Mapa tem como objetivo guiar políticas públicas, investimentos e ações para o setor produtivo nos próximos anos, focando em inovação, sustentabilidade e competitividade.
A apresentação do documento coube ao diretor de Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade Industrial da FIEA, Júlio Zorzal, que esteve acompanhado do professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Reynaldo Ferreira. O material apresenta diagnósticos, metas e iniciativas estratégicas, visando fortalecer a indústria alagoana até 2032.
“A FIEA busca, com isso, traçar uma agenda para o futuro. O Mapa não se resume a um planejamento institucional, mas oferece diretrizes claras para todo o setor industrial, priorizando tecnologia, inovação, sustentabilidade e a formação de capital humano”, destacou Zorzal. Ele acrescentou que o documento foi elaborado com uma base sólida de dados, escuta ativa e alinhamento com as tendências globais e nacionais.
Um Novo Horizonte Para a Indústria Local
O vice-presidente da FIEA, José da Silva Nogueira Filho, ressaltou que esse lançamento representa um novo capitulo para a indústria alagoana. “Estamos apresentando uma ferramenta de planejamento em longo prazo que responde às exigências do presente, mas que tem um olhar firme para o futuro. A indústria precisa de previsibilidade e estratégia, e é isso que estamos propondo”, disse ele em sua fala.
O evento, que teve como tema “Alagoas 2050 – Indústria, Comércio e Serviços: diagnóstico do presente e apostas para o futuro”, reuniu empresários, gestores públicos, estudantes e profissionais do setor econômico, promovido pela Organização Arnon de Mello (OAM), e contou com o apoio do Governo do Estado e da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE).
Desafios e Oportunidades para o Crescimento do Brasil
No painel de abertura, Mário Sérgio Telles, diretor-adjunto de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços da Confederação Nacional da Indústria (CNI), expressou sua preocupação com o atual ritmo de crescimento econômico do Brasil. Telles apontou que, apesar de um crescimento médio de 3,2% nos últimos anos, a CNI estima que o potencial de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) atual seja de apenas 2,5%. “Crescer acima disso pode provocar pressão inflacionária, resultando em uma taxa de juros elevada, atualmente em 15%. Para este ano, nossa projeção é uma alta de apenas 1,8%”, afirmou.
Para garantir um crescimento mais robusto sem o aumento das taxas de juros, Telles propôs três frentes de atuação: a necessidade de ajustes no cenário macroeconômico com responsabilidade fiscal; o fortalecimento de políticas de desenvolvimento produtivo, como o programa Nova Indústria Brasil (NIB), que deve ser tratado como uma política de Estado; e uma maior integração internacional, com a redução do custo-Brasil e ampliação dos acordos comerciais, como aquele firmado com a União Europeia.
Alagoas como Protagonista no Cenário Nacional
Luís Amorim, diretor-executivo da Gazeta de Alagoas, defendeu que o estado deve assumir um papel ativo no cenário nacional. “Devemos ser protagonistas de nossas próprias histórias, não apenas seguir as pautas do Centro-Sul e sermos vistos como última prioridade. É essencial que nos integremos a debates qualificados para construir uma agenda sustentável até 2050”, destacou.
Amorim também mencionou os diferenciais estratégicos de Alagoas, como o gás natural, a infraestrutura do Porto de Maceió e a malha rodoviária que facilita o escoamento da produção. “Nosso estado aprendeu a converter suas vocações naturais em desenvolvimento econômico, desde a era da cana-de-açúcar. Ao projetarmos 2050, falamos sobre tecnologia, ciência aplicada, sustentabilidade e bioeconomia, visando a valorização do que antes era considerado subproduto e a ampliação da competitividade internacional, como é o caso do etanol de terceira geração”, concluiu.

