Encontro Virtual Reúne Mestres e Brincantes de Todo o Brasil
Na noite da última segunda-feira (23), um encontro virtual reuniu mestras, mestres, brincantes e fazedores de cultura de diversas regiões do Brasil. O evento, intitulado Pré-Fórum Cultura Viva de Culturas Tradicionais e Populares, foi transmitido pelo canal do Pontão de Cultura Rede das Culturas Populares e Tradicionais (RCPT), em colaboração com o Grupo de Trabalho da Comissão Nacional de Pontos de Cultura (CNPdC). A principal proposta do encontro foi discutir as contribuições das culturas tradicionais e populares para a Política Nacional de Cultura Viva (PNCV), preparando o caminho para a 6ª Teia Nacional, que ocorrerá entre os dias 24 e 29 de março, em Aracruz, Espírito Santo.
As contribuições e reflexões geradas durante o encontro serão compiladas em um documento que servirá de base para as discussões futuras no evento do Espírito Santo. Entre os participantes estava a secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (MinC), Márcia Rollemberg, além de outros representantes do ministério que trouxeram suas perspectivas sobre o papel das culturas populares na construção de políticas culturais.
Justiça Climática em Debate
Márcia Rollemberg destacou a importância da sexta edição da Teia, que terá como tema “Pontos de cultura pela justiça climática”. Segundo ela, o evento é uma oportunidade para refletir sobre a relação da humanidade com a Terra. “Devemos nutrir nossa intervenção no planeta de forma harmoniosa com a natureza. Precisamos aprender com as culturas tradicionais e populares a cuidar do mundo ao nosso redor”, ressaltou.
Ela também mencionou a escolha de Aracruz como sede do encontro, uma cidade que abriga uma significativa população indígena e enfrenta desafios ambientais. A secretária enfatizou a cultura como essencial na busca por soluções coletivas para os problemas enfrentados pela sociedade.
Desigualdades Sociais e Racismo Ambiental
Outro ponto importante destacado no encontro foi a discussão sobre desigualdades sociais e racismo ambiental. Tião Soares, diretor de Promoção das Culturas Tradicionais e Populares do MinC, abordou a intersecção entre a crise climática e os direitos humanos, salientando a necessidade de reconhecer e enfrentar esses desafios através de políticas públicas inclusivas.
“O racismo institucional e ambiental perpetua a marginalização das comunidades negras e indígenas”, afirmou Soares, ressaltando a urgência de implementar práticas que promovam a equidade social e a participação democrática de todos os grupos envolvidos nas culturas tradicionais.
Reflexões sobre a Cultura e Democracia
João Pontes, também presente no encontro, enfatizou que não se pode falar em soberania ou democracia sem levar em conta os pontos de cultura. Ele destacou a importância da 6ª Teia como um marco para fortalecer a cultura brasileira e lembrar que as culturas tradicionais são um pilar fundamental da democracia. “Estamos em um momento de avaliação e reflexão sobre o legado das políticas culturais”, observou Pontes, citando o crescimento significativo dos pontos de cultura no país.
Identidade, Pertencimento e Formação de Agentes Culturais
Durante as duas horas de discussão, diversas vozes se manifestaram. Mestra Daraína Pregnolatto, do Ponto de Cultura Quintal da Aldeia, enfatizou a ligação entre culturas populares e territoriais, defendendo a necessidade de incluir tanto os mais velhos quanto os mais jovens nos debates sobre cultura. “Uma sociedade sem os sábios que orientem e os novos que darem continuidade ao trabalho está fadada ao fracasso”, alertou Daraína.
A mestra Iara Aparecida, do Ponto de Cultura Moçambique Estrela Guia, ressaltou que a cultura se manifesta nas comunidades e é vital para a identidade e resistência social. “É preciso reconhecer a importância dos pontos de cultura e de seus guardiões”, enfatizou.
Dane de Jade, mediadora do evento, apresentou a Rede de Culturas Populares e Tradicionais (RCPT), que se dedica a mapear e diagnosticar atividades no campo cultural e a formar novos agentes. “É fundamental garantir que as novas gerações tenham acesso aos saberes tradicionais”, afirmou, destacando a importância da continuidade da cultura viva no Brasil.

