Estudo da Ufal revela impacto da poluição no câncer de pulmão
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) aponta que, nos últimos dez anos, 28 mortes por câncer de pulmão em Maceió estão associadas à poluição atmosférica. Esse número representa aproximadamente 3% de todos os óbitos registrados pela doença na capital alagoana durante o período analisado.
A pesquisa, que foi publicada na revista internacional Atmosphere, teve à frente o estudante de Medicina Albery Batista de Almeida Neto, sob a orientação do professor Flavio Manoel Rodrigues da Silva Júnior, do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS). O levantamento investigou a correlação entre os dados de poluição do ar e a mortalidade por câncer de pulmão entre 2014 e 2023 em todas as 27 capitais brasileiras, com foco no material particulado fino conhecido como PM2.5. Esse poluente microscópico é capaz de penetrar nos pulmões e chegar à corrente sanguínea, afetando a saúde de diversas maneiras.
Em entrevista ao g1, o pesquisador Albery explicou que a poluição do ar pode estar diretamente relacionada ao aumento de doenças cardiovasculares e respiratórias. Ele ressaltou que, até o momento, não havia um entendimento claro em nível nacional sobre o impacto da poluição atmosférica na mortalidade por câncer de pulmão.
“Atualmente, o tabagismo é reconhecido como o principal fator de risco para o desenvolvimento de câncer de pulmão. Entretanto, a poluição do ar contém diversos compostos tóxicos que podem afetar a origem e a progressão dos tumores na região pulmonar”, destacou Albery.
Mortes por câncer de pulmão e poluição no Brasil
O estudo também revelou que, em todo o Brasil, 9.631 mortes por câncer de pulmão nas capitais estão diretamente ligadas à exposição prolongada ao PM2.5, o que corresponde a mais de 13% de todos os óbitos pela doença nessas cidades. Para estimar o número de mortes atribuíveis à poluição do ar, os pesquisadores utilizaram uma metodologia baseada nas diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Os resultados foram alarmantes: quase todas as capitais analisadas apresentaram níveis médios de PM2.5 que ultrapassam as recomendações da OMS. Ao todo, 97,41% das médias anuais excederam os limites estabelecidos pela organização internacional. Além disso, cerca de um terço das medições superou os limites permitidos pela legislação brasileira, indicando uma exposição crônica da população urbana a níveis prejudiciais à saúde.
Índices de poluição no Nordeste
Apesar do quadro sombrio em nível nacional, o estudo destacou que Maceió e outras capitais do Nordeste apresentaram índices de poluição abaixo da média brasileira. “As taxas de poluição em Maceió e em outras capitais nordestinas são inferiores à média nacional, o que reflete os menores níveis de poluição observados na região em comparação com outras partes do país”, afirmou o professor Flavio Rodrigues.
Entretanto, os pesquisadores lançaram um alerta: mesmo com índices considerados mais baixos, a poluição do ar ainda pode impactar a saúde pública ao longo do tempo. A pesquisa evidencia a necessidade urgente de medidas para controlar a poluição e proteger a saúde da população.
A pesquisa não só ilumina a grave relação entre poluição do ar e saúde pública, mas também serve como um chamado à ação para políticas de proteção ambiental e saúde. A melhoria da qualidade do ar é essencial para a prevenção de doenças e para a promoção da saúde pública no Brasil.

