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    Início»Tecnologia»Nova Tecnologia Revoluciona Diagnóstico da Leishmaniose em Alagoas
    Tecnologia

    Nova Tecnologia Revoluciona Diagnóstico da Leishmaniose em Alagoas

    14 de fevereiro de 2026
    Imagem do artigo
    Parceria acadêmica busca soluções mais rápidas e eficazes para combate à doença endêmica
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    Desenvolvimento de Testes Rápidos e Eficazes

    Uma colaboração entre a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV/MG) está em andamento para melhorar o diagnóstico da leishmaniose no Brasil, especialmente em Alagoas, onde a doença é endêmica. A parceria visa unir desenvolvimento biotecnológico com a validação prática em campo, criando testes diagnósticos mais precisos e acessíveis, que possam ser utilizados nos serviços públicos de saúde.

    A leishmaniose é uma das doenças tropicais negligenciadas, provocada por protozoários do gênero Leishmania, e é transmitida pela picada da fêmea do mosquito flebótomo. Este inseto pica um animal contaminado e, ao atingir um ser humano saudável, pode transmitir a infecção.

    As manifestações da doença incluem a Leishmaniose Visceral Canina (LVC), que é uma zoonose em cães, considerados reservatórios significativos em áreas urbanas. Além disso, existem formas cutâneas que podem causar lesões graves e sérias consequências sociais e de saúde pública.

    Aumento da Prevalência e Necessidade de Novas Ferramentas

    Segundo o professor Wagnner Porto, do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS/Ufal), o perfil epidemiológico da leishmaniose no Brasil vem mudando, com a urbanização contribuindo para um aumento nos casos, particularmente em Alagoas.

    Na região metropolitana de Maceió, a escassez de estudos epidemiológicos e moleculares é notável. A prevalência da LVC em Alagoas foi estimada em aproximadamente 9,9%, e a participação das áreas urbanas nas notificações de leishmaniose cresceu para 35,1% em 2022. Entre 2013 e 2022, foram registrados 645 casos de Leishmaniose Tegumentar no estado, evidenciando a urgência de métodos diagnósticos mais eficazes.

    Porto pontua que os métodos de diagnóstico atuais são limitados. O exame direto apresenta baixa sensibilidade, enquanto os testes sorológicos têm especificidade insatisfatória. O Teste de Montenegro foi descontinuado, e os métodos moleculares, como a PCR, são caros e complicados para áreas vulneráveis. O diagnóstico tardio pode levar a complicações sérias e custos elevados para o sistema de saúde.

    Inovação na Diagnóstica com o Teste Imunocromatográfico

    O projeto liderado por Porto e pelo professor Abelardo Silva Júnior (ICBS) busca desenvolver uma tecnologia que integre a precisão molecular à simplicidade de testes rápidos, adequados para os pontos de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). A pesquisa foca na validação de um teste imunocromatográfico, já elaborado pelo grupo da professora Juliana Fietto, da UFV, que detecta anticorpos anti-Leishmania sp. em cães, e será comparado com técnicas já estabelecidas.

    Os objetivos da pesquisa incluem:

    • Desenvolver uma técnica de Amplificação Isotérmica Mediada por Loop (Lamp) que detecte a diversidade de cepas de Leishmania spp. no Brasil;
    • Padronizar a técnica Lamp-LFP para identificação do gênero Leishmania;
    • Elaborar um formato “multiplex” capaz de detectar simultaneamente gênero e espécie do parasita;
    • Validar o teste com amostras clínicas de pacientes alagoanos;
    • Comparar a eficácia do novo teste com a PCR convencional;
    • Transferir a tecnologia para o SUS e para a vigilância epidemiológica municipal em Alagoas.

    Dinâmica e Colaboração na Pesquisa

    A parceria entre as universidades atua em várias frentes, incluindo o fornecimento de insumos essenciais, transferência de tecnologia e validação interlaboratorial. A UFV enviará primers padronizados e, quando necessário, controles positivos sintéticos ou extraídos, garantindo a qualidade dos reagentes utilizados na validação.

    Além disso, a instituição mineira compartilhará Protocolos Operacionais Padrão (POPs), parâmetros de reação como temperatura, tempo e concentrações, e oferecerá suporte técnico durante a implementação das técnicas em Alagoas. Os testes realizados em diferentes laboratórios, tanto em Viçosa quanto em Maceió, com operadores e equipamentos variados, visam demonstrar a robustez das metodologias. Segundo Porto, provar que os primers funcionam em diversas regiões brasileiras é essencial para validar a eficácia do kit, elevando o Nível de Maturidade Tecnológica (TRL) do produto.

    Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia diagnóstico precoce gestão saúde pública leishmaniose
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