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    Economia

    A Revolução na Pecuária Alagoana: Como a Gestão de Dados Transforma o Setor

    20 de fevereiro de 2026
    A Revolução na Pecuária Alagoana: Como a Gestão de Dados Transforma o Setor
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    Transformação Silenciosa no Campo

    A pecuária em Alagoas está passando por uma transformação significativa, que se afasta do modelo tradicional, que gira em torno da posse de terra e rebanho. Fazendas no interior do estado estão adotando práticas inovadoras, baseadas em dados, indicadores e planejamento financeiro. Essa mudança tem resultado em um aumento de produtividade, sem a necessidade de expandir as áreas cultivadas.

    Um bom exemplo dessa nova fase é a Fazenda Camaratuba, localizada em Viçosa, na Zona da Mata. Sob a administração de Amarilio Carlos Monteiro, a propriedade se especializa na recria e engorda de novilhas e passou por um processo de reestruturação produtiva e gerencial nos últimos anos.

    Amarilio, que vê a fazenda como um negócio, afirma: ‘A fazenda precisa produzir, pagar os colaboradores e gerar lucro’. Com a ajuda da consultoria especializada Start Agronegócio, a Fazenda Camaratuba implementou indicadores financeiros e produtivos, além de sistemas de gestão que possibilitaram uma rotina de análise constante.

    De acordo com Marcelo Araújo, consultor da Start Agronegócio, a grande virada aconteceu quando as informações que já estavam disponíveis passaram a ser organizadas. ‘Antes, os dados estavam dispersos. Agora, com relatórios consolidados, temos decisões muito mais ágeis’, explica.

    Os resultados desse processo falam por si mesmos. Durante a reorganização da fazenda, a Fazenda Camaratuba viu um crescimento de 29% no faturamento por hectare, uma elevação de 20% na produção de arrobas por hectare e um aumento de 6% no ganho médio diário dos animais, tudo isso sem ampliação de área, mas sim com um uso mais eficiente dos recursos.

    Do Gado à Marca: Estratégias de Mercado

    A profissionalização do setor não se limita apenas à gestão interna. Parte da estratégia envolve a conexão com o mercado, através da Boi de Engenho, uma empresa formada por cooperados, incluindo Amarilio. Com essa iniciativa, os produtores buscam romper com o tradicional modelo de venda de gado, apostando na padronização da carne, rastreabilidade e construção de uma marca sólida.

    ‘O objetivo é garantir um destino certo para o boi produzido, com padrões claros de qualidade’, ressalta Amarilio. A proposta despertou o interesse de novos produtores, como Fábio Henrique Cavalcante Gomes, da Agropecuária 4 Corações, em Quebrangulo, que já investia em práticas modernas como pastagem rotacionada e inseminação artificial antes de se integrar à nova estratégia.

    ‘Entrei na pecuária por herança, mas busquei sempre evoluir’, declara Fábio. Com a reorganização gerencial e foco em estratégias econômicas, a Agropecuária 4 Corações viu um aumento de 66% no faturamento por hectare entre as safras de 2024 e 2025, além de um crescimento de 20% no ganho diário dos animais e uma elevação de 12% na produção de arrobas por hectare.

    ‘Sem planejamento, a fazenda consome recursos sem parar. A gestão é que dá direção aos investimentos’, finaliza Fábio.

    A Gestão Rural e a Competitividade do Setor

    Esse movimento de transformação não é isolado. Em Alagoas, a demanda por consultorias voltadas à gestão rural tem crescido, refletindo uma mudança de mentalidade no campo. Produzir mais deixou de ser apenas uma questão técnica para envolver também organização financeira e uma melhor leitura dos indicadores.

    Um dos programas que tem contribuído para essa mudança é o Sebraetec, que subsidia até 70% do custo de consultorias técnicas, facilitando o acesso de pequenos e médios produtores a acompanhamento especializado. Segundo a analista Cristina Loureiro, o principal desafio é fazer com que os produtores separem a renda pessoal da renda da propriedade.

    ‘Muitos ainda misturam as finanças pessoais com as da fazenda. Quando eles começam a enxergar a propriedade como uma empresa, as decisões se tornam mais estratégicas’, afirma.

    Henrique Soares, gerente da Unidade de Competitividade Setorial do Sebrae Alagoas, complementa: ‘Quando o produtor compreende seus números e organiza seus processos, a atividade se fortalece, gerando impactos econômicos em toda a região’.

    Num estado que historicamente depende da cana-de-açúcar, a pecuária demonstra que o aumento da produtividade não se resume a mais terra, mas sim à capacidade de transformar informações em estratégias eficazes.

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