Alianças políticas em Alagoas se tornam insustentáveis sob aviso do ministro dos Transportes
Mais do que simples declarações, as palavras de Renan Filho, ministro dos Transportes, ecoam como recados diretos para figuras-chave da política brasileira, como Lula, JHC e especialmente Arthur Lira. Em uma entrevista concedida a O Globo, publicada neste domingo (08/02/2026), Renan Filho foi além da discussão sobre a reeleição de Lula em nível nacional, trazendo à tona a complexa e delicada situação política de Alagoas, que se reflete na possível sucessão estadual de 2026. As suas declarações servem como um aviso claro para os líderes políticos que ainda tentam alinhar projetos que, claramente, não se conciliam.
No teor da entrevista, o ministro discorre sobre a importância de formar uma base de apoio mais ampla para Lula, visando atrair setores do centro político. Contudo, Renan Filho deixa explícito que isso não significa, em hipótese alguma, compartilhar o mesmo palanque que Arthur Lira. Essa postura se alinha à abordagem já adotada pelo senador Renan Calheiros nos dias recentes.
“O presidente Lula deve contar com o maior número de apoios possível, mas isso não implica que devamos estar no mesmo palanque que Lira, que traz dificuldades para o estado”, ressaltou Renan Filho de maneira incisiva. Essa declaração não apenas carrega peso, mas também uma agenda política muito clara.
Renan Filho não hesitou em criticar a influência de Lira na política local: “Ele teve controle sobre o Orçamento Secreto durante o governo Bolsonaro, mas não contabiliza uma obra significativa no estado que tenha sido de sua liderança. Seria como convidar para o nosso time alguém que costuma fazer gol contra”. No entanto, o ministro também ponderou que, apesar de suas críticas, Lira pode apoiar Lula — mas em um palanque separado.
Essa mensagem, porém, não é exclusivamente destinada a Arthur Lira, que, ciente das dificuldades de uma aliança com os líderes do grupo governista, é mais um aviso aos prefeitos, vereadores e lideranças do MDB e de partidos aliados que flertam com a pré-candidatura de Lira ao Senado, mas ainda se mantêm na base do governo estadual.
A clareza da mensagem é inegável: quem estiver alinhado ao governo precisará tomar decisões. E isso deve acontecer em um espaço curto de tempo. Apoiar Lira para o Senado enquanto se permanece na base governista pode se tornar uma estratégia insustentável, especialmente após as eleições.
Quando questionado sobre uma possível candidatura de JHC, prefeito de Maceió, ao governo ou ao Senado, Renan Filho respondeu de forma direta: “Nunca pedi a ele que não fosse candidato. O MDB é forte em Alagoas, controlando aproximadamente 80 prefeituras, a maior parte da Assembleia Legislativa, dois deputados federais, dois senadores e o governo do estado, além do apoio do presidente Lula nas eleições locais. Por outro lado, é melhor que eles mesmos comentem sobre suas opções”.
A entrevista também esclarece a posição de Renan Filho quanto ao seu próprio futuro político. Ao ser indagado sobre a possibilidade de ser vice de Lula, ele afirmou: “Sou pré-candidato ao governo de Alagoas e pretendo participar ativamente da discussão”. Contudo, a participação na discussão não necessariamente implica em disputar a vaga, mas sim em contribuir para a construção de uma aliança nacional, sem abrir mão de um projeto próprio em nível local.
O cenário político que se desenha traz desafios crescentes para Arthur Lira, que poderá enfrentar dificuldades para consolidar seu palanque entre as bases que são dominadas pelo grupo governista. À medida que as prefeituras, lideranças regionais e estruturas políticas ligadas ao MDB são instadas a repensar suas estratégias, fica claro que os avisos já foram dados duas vezes — primeiro pelo senador Renan Calheiros e, em seguida, pelo ministro Renan Filho.

