Um Novo Caminho para a Política Brasileira
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, expressou sua intenção de se candidatar à Presidência e apontou um fator crucial: o cansaço da população em relação à polarização extrema entre petistas e bolsonaristas. Durante uma recente entrevista, Zema ressaltou que, ao conversar com cidadãos do interior, é notório um desejo de mudança em um cenário saturado de radicalismos. “As pessoas estão exaustas desse clima de ‘eu estou certo e você está errado’. Isso tem um limite”, afirmou. O governador acredita que a política brasileira carece de novas ideias e eventos que rompam com o ciclo repetitivo de disputas.
Questionado sobre sua posição no espectro político, Zema reconheceu que, enquanto se vê mais alinhado ao bolsonarismo do que ao petismo, ele não se considera tão à direita quanto Jair Bolsonaro. “Não acredito em idolatria”, disse Zema, enfatizando a importância de debates e a valorização de opiniões diversas. Para ele, a direita precisa de mais representatividade, sem se restringir a um único candidato.
O Espaço para Uma Terceira Via
Ao ser questionado se fala com o mesmo eleitorado de Flávio Bolsonaro, Zema admitiu uma sobreposição, mas também reconheceu a existência de um eleitorado distinto que rejeita tanto Lula quanto Bolsonaro. “Sempre haverá espaço para um terceiro nome”, declarou, sugerindo que sua candidatura poderia ser uma alternativa. O governador mencionou a filiação do PSD, que incorpora líderes como Ronaldo Caiado e a possibilidade de lançar outros candidatos à Presidência, mas reafirmou sua intenção de prosseguir com sua pré-candidatura. “Levarei a minha proposta adiante até o fim”, assegurou.
Formação de Alianças e Sustentação da Candidatura
Zema destacou que a direita está se unindo, o que, segundo ele, fortalece a posição do setor. “Mais candidatos significa mais votos. No segundo turno, todos estarão juntos apoiando aquele que avançar”, disse. Ele comentou sobre a preocupação levantada pelo governador Eduardo Leite, que afirmou que candidaturas múltiplas poderiam dispersar votos e favorecer Flávio Bolsonaro. O governador de Minas, entretanto, defende que a diversidade de candidatos pode trazer um cenário mais favorável.
Desafios e Críticas à Gestão
Com apenas 5% das intenções de voto em uma recente pesquisa, Zema se justifica ao afirmar que é o único governador que teve que recuperar um estado arruinado. “Se conseguimos melhorar a educação, a saúde e a segurança em Minas, podemos fazer o mesmo no Brasil”, afirmou. Além disso, reiterou sua posição favorável ao indulto do ex-presidente Jair Bolsonaro, defendendo que o país deve seguir em frente e superar as polêmicas passadas. “O que houve foi uma retaliação desproporcional”, argumentou.
Zema também se manifestou sobre sua disposição de visitar Bolsonaro na prisão, lembrando de um encontro recente e expressando preocupação com a saúde do ex-presidente. Ele integra uma abordagem diplomática, buscando unir forças dentro da direita.
Estratégias de Campanha e Futuro do PSD
Ao ser questionado sobre sua estratégia para expandir sua base fora de Minas, Zema revelou que o presidente do partido já está em conversações em outros estados. Ele se comprometeu a fortalecer alianças e lembrou do sucesso das coligações que formou em Minas em 2022. “Estamos abertos a parcerias em nível nacional”, disse.
Em relação ao uso de aeronaves oficiais, Zema negou impropriedades e defendeu que seu governo é pautado pela economia e pela transparência. “Não confundam equipamentos do Estado com interesses pessoais”, enfatizou, referindo-se às críticas que recebeu sobre seu uso de recursos governamentais.
Visão sobre o Brasil como uma Federação
Por fim, Zema reiterou que as regiões Sul e Sudeste têm um papel fundamental no desenvolvimento do Brasil, mas isso não deve ser visto como um desdém às demais regiões. “O que funciona aqui pode ser replicado em outras partes do Brasil”, defendeu. Ele acredita na necessidade de uma união forte entre estados, enfatizando que a arrecadação de regiões mais prósperas é crucial para o sustento das outras.

