Discussões sobre Eficiência na Gestão de Saúde
Maceió se tornou, nesta segunda-feira (2), o epicentro das discussões sobre a eficiência na gestão pública da saúde. Representantes de 84 municípios alagoanos participaram do Seminário de Planejamento em Saúde, realizado no Hotel Maceió Atlantic Suítes. O evento foi promovido pelo Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Alagoas (Cosems-AL) e teve como foco a modernização dos instrumentos de gestão e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) em nível local.
Rodrigo Buarque, presidente do Cosems-AL e vice-presidente do Conasems, comentou sobre a significativa presença de gestores municipais, enfatizando que isso sinaliza uma mudança na cultura da administração pública. “Com essa adesão massiva, percebemos que o Cosems-AL está de fato cumprindo seu papel de aprimorar e qualificar a gestão municipal de saúde”, destacou Buarque.
O dirigente também sublinhou a relevância da integração entre os governos Municipal, Estadual e Federal, agradecendo a assistência técnica proveniente de representantes do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). A vice-presidente do Conselho, Zilda Ferreira, corroborou que o debate é essencial para que os municípios atendam suas demandas com eficácia e dentro dos prazos legais estabelecidos.
Palestras e Tópicos Críticos em Debate
Um dos momentos mais aguardados do seminário foi a palestra de Arthur Belarmino, secretário de saúde de Afogados da Ingazeira. Ele discorreu sobre o alinhamento estratégico necessário à Portaria GM/MS nº 10.169, divulgada em janeiro deste ano, e sua relação direta com o Fundo Nacional de Saúde (FNS).
Participando de forma virtual, o médico sanitarista e consultor do Conasems, Marcos Franco, foi incisivo ao ressaltar a postura do gestor moderno: “O secretário que não faz planejamento, não faz gestão e não conduz de forma adequada o município no planejamento do cuidado”.
O secretário de saúde de Lagoa da Canoa, Renildo Manoel, trouxe à tona os “gargalos críticos” que permeiam a realidade da saúde pública. Durante sua apresentação, ele abordou tópicos sensíveis como o subfinanciamento do sistema, os vazios assistenciais em regiões remotas e a crescente judicialização da saúde.
Importância do Planejamento Local e Desafios a Enfrentar
Fátima Alí, representante do Ministério da Saúde, complementou as discussões ao alertar sobre práticas que podem prejudicar a qualidade da gestão, como o chamado “planejamento copiado” ou desconectado da realidade local, muitas vezes exacerbado pela alta rotatividade de gestores nas secretarias.
O evento também contou com painéis técnicos conduzidos por especialistas da área. Cristina Sette, do Conasems, e Maria do Rosário Carneiro, da SMS Pilar, discutiram o planejamento como uma estratégia ampliada, enquanto Bruno Pimentel, da Sesau, elucidou sobre os instrumentos orçamentários. Paulo Guilherme, da SMS Atalaia, orientou sobre a operacionalização dos sistemas DigiSUS e InvestSUS, ferramentas fundamentais para garantir transparência e o correto recebimento de recursos.
O seminário reafirma a posição de Alagoas na vanguarda das discussões técnicas relativas ao SUS, com o objetivo de converter o planejamento burocrático em uma ferramenta dinâmica que melhore o atendimento à população.

