Levantamento Revela Insatisfação dos Consumidores
Um estudo recente indica que 80% dos moradores de Maceió enfrentam problemas com a telefonia móvel. As queixas mais comuns incluem instabilidade de sinal, cobranças indevidas e dificuldade no atendimento pelas operadoras. A pesquisa, realizada pela Gazeta de Alagoas, abrangeu dez bairros da capital e trouxe à tona a insatisfação crescente entre os consumidores.
A instabilidade do sinal desponta como a principal reclamação, citada por impressionantes 86% dos entrevistados. Além disso, 66% relataram cobranças não reconhecidas, enquanto 60% mencionaram dificuldades de contato com as operadoras e 53% enfrentaram problemas com falhas na navegação por dados móveis.
O levantamento foi realizado através de entrevistas com dez moradores por bairro, abrangendo áreas como Benedito Bentes, Centro, Jatiúca, Levada, Pajuçara, Pontal da Barra, Ponta Grossa, Ponta Verde, Tabuleiro do Martins e Trapiche da Barra. As respostas coletadas refletem não apenas problemas recentes, mas também situações persistentes no uso cotidiano dos serviços telefônicos.
Números oficiais da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) corroboram a insatisfação. Em 2025, Alagoas registrou 6.485 reclamações formais sobre telefonia móvel, sendo Maceió responsável pela maior parte, com 3.637 ocorrências. Em seguida, Arapiraca com 850 reclamações, Marechal Deodoro com 145, Rio Largo com 133 e Porto Real do Colégio com 99 reclamações.
Cobranças indevidas lideram a lista de queixas à Anatel, totalizando 1.867 registros. Outros problemas comuns incluem bloqueio ou suspensão de serviços (1.283), questões relacionadas a planos, promoções e cancelamentos (557), além de falhas no atendimento (555). Usuários também reportaram dificuldades em créditos de pacotes pré-pagos e inconsistências nas ofertas anunciadas.
Operadoras Mais Reclamações
No ranking das operadoras mais reclamadas de Alagoas, a TIM ocupa a liderança, com 2.553 registros em 2025. A Claro segue em segundo, com 2.404 reclamações, enquanto a Vivo aparece em terceiro, com 1.499. Juntas, essas três operadoras respondem por mais de 99,5% das queixas recebidas pela Anatel no estado.
No cenário nacional, o Brasil acumulou 683.586 reclamações relacionadas ao serviço móvel pessoal no mesmo período, colocando Alagoas na 17ª posição no ranking de queixas.
Experiências de Consumidores com Telefonia Móvel
Entre os relatos, o médico Allysson Matos Porto Silva, do Trapiche, revelou uma série de problemas com sua operadora, que vão desde falhas no atendimento até descumprimento de contrato. Ele mencionou que, apesar de solicitar o bloqueio de ligações indesejadas, elas continuam ocorrendo, frequentemente em horários inconvenientes.
José Cirilo da Silva, aposentado da Ponta Grossa, também compartilha sua frustração, citando a perda repentina de créditos como sua maior preocupação. “Coloco crédito e, de repente, desaparece sem aviso. Já passei por isso várias vezes”, desabafa.
Ravani Freire, servidora pública, conta que já fez portabilidade três vezes, sem sucesso em resolver as falhas de atendimento e conexão. “O serviço não atende às necessidades. Tive que recorrer a lanchonetes para conseguir sinal”, explicou.
A massoterapeuta Leila Rezende, da Levada, mencionou que as dificuldades no atendimento quase a levaram a desistir de sua operadora. “A resposta é sempre demorada e frustrante”, diz ela.
O advogado Barros Neto, da Pajuçara, enfrentou problemas com cobranças indevidas, que só foram solucionados após ações judiciais. Ele descreve a situação como um grande transtorno.
Criticas das Operadoras e Ações do Procon
Mano Oliveira, empreendedor da Levada, criticou a falta de melhorias nos serviços independentemente da operadora escolhida. “As falhas são constantes, e o custo não corresponde à entrega”, enfatizou.
A gerente de projetos Camila Silva, da Ponta Verde, relatou que a instabilidade da conexão prejudica sua rotina de home office, levando-a a buscar alternativas em outras operadoras. “Pagar caro por um serviço que não funciona é inaceitável”, comentou.
O Procon Maceió destacou que cobranças indevidas representam mais de 25% das reclamações recebidas. Se não resolvidas, tais queixas podem resultar em multas que variam de R$ 10 mil a R$ 350 mil, dependendo da gravidade e reincidência. Recentemente, Claro e Vivo figuraram entre as dez empresas mais reclamadas no Procon.

