A Relevância do Setor Cultural na Economia
Para entender a importância da economia do setor cultural, é necessário olhar além do audiovisual. As artes visuais, cênicas, a música, o artesanato, a moda, a gastronomia, os museus, a eletrônica e o design formam um complexo de cadeias produtivas que estimulam o comércio, promovem serviços, impulsionam o lazer e fomentam o turismo. Esses segmentos não apenas enriquecem a cultura, mas também desempenham um papel crucial na expansão do mercado de trabalho no Brasil.
Dados recentes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), do Ministério da Cultura e da Fundação Itaú revelam que o setor cultural injeta cerca de R$ 230 bilhões anuais na economia do país, correspondendo a 3,11% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse panorama inclui cerca de 8 milhões de pessoas, envolvidas em 130 mil empresas e instituições que operam de maneira formal, representando 7% da força de trabalho brasileira. Trata-se de uma dinâmica significativa, considerando que este setor é historicamente caracterizado por instabilidades e realidades assimétricas em um país de dimensões continentais.
Desafios da Informalidade e Precarização
No entanto, a informalidade ainda é uma característica marcante neste cenário. Em 2022, 43,2% dos trabalhadores do setor atuavam por conta própria ou sem registro formal, em comparação a 40,9% do total da economia. Essa elevada taxa de informalidade é frequentemente acompanhada pela precarização do trabalho, que se reflete na falta de remuneração justa para artistas, produtores e equipes técnicas. Além disso, a escassez de acesso a direitos básicos, como a previdência social, deixa esses trabalhadores em uma rede de proteção social vulnerável e desarticulada.
É fundamental, portanto, acompanhar os desdobramentos em torno desse tema. É crucial entender as discussões que permeiam o setor cultural, assim como os debates que acontecem nas esferas pública e privada sobre políticas públicas que possam valorizar o trabalho dos profissionais da cultura e das ocupações correlatas.
Políticas Públicas e Valorização Profissional
A promoção de trabalho e emprego, levando em conta as peculiaridades do setor cultural, destaca-se como um dos pontos essenciais a serem abordados. A experiência recente da pandemia, que revelou as vulnerabilidades do segmento, exigiu medidas emergenciais tanto do poder público quanto da iniciativa privada. Agora, é necessário enfrentar o fenômeno da precarização de maneira duradoura e eficaz.
Uma possível solução para esse impasse é a aprovação de marcos regulatórios que assegurem, entre outros aspectos, a proteção de direitos trabalhistas e a remuneração adequada pelos direitos autorais. Ademais, é crucial incentivar a criação de vagas no mercado formal, uma tendência observada no pós-pandemia, além de investir em formação e capacitação contínuas, o que ampliaria as oportunidades e a renda dos trabalhadores do setor.
O Papel da Cultura no Cotidiano
O esforço para fortalecer o setor cultural é significativo e demanda um compromisso sólido. A celebração da cultura deve ocorrer não apenas em grandes eventos, que, sem dúvida, são importantes para o reconhecimento profissional, mas também no cotidiano da criação. É fundamental que a cultura seja parte integral da vida diária, contribuindo para o fortalecimento da identidade nacional e da comunidade.
Luiz Deoclecio Massaro Galina, economista, sociólogo e educador em saúde pública, ingressou no Sesc São Paulo em 1968 e, desde 2023, atua como Diretor Regional da instituição, trazendo seu conhecimento e experiência para promover a valorização do trabalho cultural.

