A crise econômica e a alta da Selic afetam a geração de empregos em Alagoas
O estado de Alagoas encerrou o ano de 2025 com o pior resultado na criação de empregos formais desde 2021. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho, foram geradas apenas 16.706 novas vagas com carteira assinada, uma queda em relação aos 20.047 postos criados em 2024.
Economistas e especialistas apontam que o desempenho abaixo do esperado está diretamente relacionado à política monetária restritiva adotada no país. A taxa básica de juros, a Selic, atingiu 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. Essa elevação no juro encareceu o crédito, o que, por sua vez, impactou negativamente os investimentos produtivos em diversas áreas da economia.
Além disso, em Alagoas, setores cruciais, como o sucroalcooleiro, enfrentaram dificuldades adicionais. A queda nos preços internacionais do açúcar e a escassez de liquidez contribuíram para o cenário desolador. O resultado é um aumento da incerteza econômica que afeta tanto empresários quanto trabalhadores.
A concentração da geração de empregos também chamou a atenção. Na capital, Maceió, foram criadas 8.347 vagas, o que representa cerca de 50% do total de empregos gerados no estado. Essa realidade evidencia um desequilíbrio na distribuição de oportunidades de trabalho, colocando a capital em um patamar destacado em relação ao restante do estado.
A situação reflete uma tendência preocupante que pode impactar o desenvolvimento econômico local e atrair investimentos. A recuperação da economia alagoana dependerá, em grande medida, de estratégias eficazes que busquem diversificar as fontes de emprego e tornar o ambiente de negócios mais favorável. Os desafios são muitos, mas a resposta do setor público e privado será fundamental para a reversão desse quadro nos próximos anos.

